Giro pela arquitetura moderna pública dos anos 60 na USP

Edifício da FAU-USP/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo

Um passeio Cidade Universitária da USP no Butantã é uma ótima maneira de conhecer a arquitetura moderna pública da década de 1960. O Blog do DPH elaborou um roteiro passando por cinco locais: o prédio da História e Geografia, o Crusp (Conjunto Residencial da USP), a FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) e a Escola Politécnica, além de um edifício contemporâneo que já nasceu importante: a Biblioteca Brasiliana.

A FAU e os prédios da História e Geografia fizeram parte de uma proposta que buscava acabar com a dificuldade de comunicação entre as unidades espalhadas pelo campus, e que ficou conhecido como “corredor das humanas”. Nele seria construída uma série de edifícios das Ciências Humanas, criando um espaço de sociabilidade e convivência. Porém, com o início da Ditadura Militar (1964-1985), somente a construção de três prédios foi concluída: a FAU e o departamento de História e Geografia.

 

HISTÓRIA E GEOGRAFIA (1961-1964, Eduardo Corona)

Rampa do edifício do Departamento de História e Geografia/Marcos Santos/USP Imagens
Rampa do edifício do Departamento de História e Geografia/Marcos Santos/USP Imagens

Considerado o primeiro prédio do setor das Ciências Humanas, o edifício da História e Geografia se estabelece a partir de um grande hall central onde estão localizadas as rampas de circulação. Em concreto armado, o edifício tem um grande vão no térreo utilizado como praça de convívio. Em 1967, recebeu o Prêmio IAB na categoria de prédios construídos no setor de edifícios educacionais.

Endereço: Av.  Prof. Luciano Gualberto, 338

 

BIBLIOTECA BRASILIANA (2013/Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb)

Biblioteca Brasiliana/Google
Biblioteca Brasiliana/Google

A Biblioteca Brasiliana abriga o maior acervo pessoal de livros do Brasil, composto por 17 mil títulos e 40 mil volumes. O conjunto foi doado à USP pelo bibliófilo José Mindlin.  A arquitetura da biblioteca, de Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb, é inspirada em bibliotecas como a de Saint Geneviève, em Paris. O edifício é composto por duas alas separadas por uma grande praça pública, articuladas por uma cobertura única com lanternim central, que permite a entrada de luz natural. A preocupação com a eficiência bioclimática se expressa também pelas células fotoelétrica instaladas nessa grande cobertura para a geração de energia solar.

Endereço: r. da Biblioteca, s/n

 

CRUSP (Conjunto Residencial da USP/1961/Eduardo Kneese de Mello, Joel Ramalho Júnior e Sidney de Oliveira)

Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo/Gabriel de Andrade Fernandes
Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo/Gabriel de Andrade Fernandes

Os edifícios do Conjunto Residencial da USP foram projetados com térreo em pilotis e seis andares superiores. Os primeiros seis prédios foram construídos em estrutura convencional de concreto e os restantes em estrutura pré-moldada no canteiro de obra.

Desde a construção, o CRUSP passou por várias fases e mudanças. Hoje existem nove blocos: oito funcionam como moradia para cerca de 80.000 alunos, e um abriga a Reitoria e os órgãos centrais. Os andares térreos, que originalmente foram planejados para serem livres, hoje são ocupados com diversos usos.

 

FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO (1966-1969, J.Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi)

Edifício da FAU-USP/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo
Edifício da FAU-USP/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo

O uso do concreto bruto, a integração entre os espaços, os pilares em forma de trapézio duplo e a funcionalidade são as principais características do prédio. Os oito pavimentos são interligados por rampas alternadas em meios-níveis. O vão livre central (Salão Caramelo) foi pensado para ser um espaço coletivo de convivência e comunicação, onde todas as atividades desenvolvidas pudessem ser articuladas.

Artigas projetou o prédio quando era professor da FAU e fazia parte da liderança de debates sobre a reestruturação curricular do curso. Para ele, era preciso pensar em novas possibilidades na prática e atuação dos futuros profissionais e o edifício deveria expressá-las.

Em 1985, o edifício ganhou o Prêmio Jean Tshumi da União Internacional dos Arquitetos por sua contribuição ao desenvolvimento tecnológico da arquitetura.

Endereço: rua do Lago, 876

 

ESCOLA POLITÉCNICA – Departamento de Engenharia Mecânica e Naval (1961/Ernesto Roberto de Carvalho Mange & Ariaki Kato)

Departamento de Engenharia Mecânica e Naval/Marcos Santos/USP Imagens
Departamento de Engenharia Mecânica e Naval/Marcos Santos/USP Imagens

Os dois edifícios, em arquitetura brutalista, têm grandes superfícies de concreto aparente, com escadas helicoidais também de concreto armado aparente. As salas de aulas possuem dimensões generosas, e a planta permite várias modulações e a reorganização dos espaços internos. Os vãos livres do térreo integram generosamente os edifícios às áreas abertas externas.

Endereço: Avenida Professor Mello de Moraes, nº 2.231 c/ Avenida Luciano Gualberto, s/n

 

ESCOLA POLITÉCNICA – Escola de Minas e de Petróleo e Escola de Metalúrgica e Materiais (1967/Oswaldo Arthur Bratke)

Os edifícios da Escola de Minas e Petróleo e da Escola de Metalúrgica e Materiais da Escola Politécnica são um conjunto de dois blocos de dois pavimentos cada (térreo e primeiro andar) que se pautou pelo uso de componentes pré-fabricados para a economia de custos. Podemos observar tal solução nos fechamentos de partes das fachadas com elementos vazados. Cada bloco é organizado por um conjunto de pátios cobertos que distribuem os fluxos do programa e onde estão localizadas as escadas.

Endereço: avenida Professor Mello Moraes, nº 2.373 e av. Prof. Mello Moraes, nº 2.463

 

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