A região de São Miguel: capela do século 16, indústrias, migração

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Capela São Miguel Paulista em 1939/B. J. Duarte


Os distritos de São Miguel, Vila Jacuí, Ponte Rasa, Ermelino Matarazzo, Jardim Helena, Vila Curuçá e Itaim Paulista possuem uma origem comum, que remonta ao aldeamento jesuítico de São Miguel.
Este aldeamento foi formado em 1560 pelo Padre José de Anchieta em uma missão de catequização dos índios Guaianás que habitavam a região. Para isso foi construída a Capela dos Índios, hoje a Capela São Miguel Arcanjo, a construção em taipa de pilão mais antiga de São Paulo. A capela também foi o primeiro bem tombado pelo Conpresp (o conselho de patrimônio da cidade de São Paulo).

O principal vetor do crescimento e estabelecimento do aldeamento foi o antigo caminho jesuítico, que partia da Ladeira do Carmo e acompanhava o vale do rio Tietê até a Penha. Neste ponto o caminho se dividia em dois —um em direção a Mogi das Cruzes e o Vale do Paraíba, e o outro para o aldeamento São Miguel. O caminho foi usado por bandeirantes com destino ao Rio de Janeiro e Minas Gerais, e posteriormente para escoamento da produção de café. Como de costume, ao longo do caminho se instalaram hospedarias, chácaras e casas.

Há na região outras duas importantes construções em taipa de pilão: as ruínas do Sítio Mirim e a Capela de Biacica. O Sítio Mirim, localizado na Vila Jacuí, é uma construção do século 17 que se encontra arruinada. Estabelecida na antiga Fazenda da Biacica, a Capela de Biacica foi edificada em taipa de pilão pelos padres carmelitas, em 1621, e marca a fundação do Itaim Paulista e o desenvolvimento da Vila Curuçá e Jardim Helena. A antiga capela foi incorporada a uma residência em estilo neo-colonial na primeira metade do século 20.

 

Traçado viário da Vila Curuçá/Arquivo Público do Estado de São Paulo
Traçado viário da Vila Curuçá/Arquivo Público do Estado de São Paulo

Como os vizinhos Itaquera e Guaianases, a região foi por muito tempo área de produção agrícola e de extração de pedregulho, areia e argila. Apenas no século 20 os bairros cresceram e se urbanizaram, graças à instalação de indústrias. Destacam-se as Indústrias Matarazzo, instaladas no atual distrito de Ermelino Matarazzo na década de 1920, e a Companhia Nitroquímica e a Cisper, na década de 1940.

A Companhia Nitroquímica, no distrito Jardim Helena, proporcionou uma vila operária, áreas de lazer e sociais para os seus trabalhadores. Marco no desenvolvimento da área, é uma das poucas que permanece até hoje na região.

Na segunda metade do século 20, com a ascensão do transporte rodoviário, as indústrias começaram a deixar estes bairros. Mesmo com a saída das fábricas, os distritos da zona leste continuaram a receber trabalhadores vindos de diversos Estados. Essa migração levou à consolidação e urbanização de bairros como a Vila Jacuí e Ponte Rasa.

Em São Miguel Paulista, a Escola Estadual Dom Pedro I foi construída a partir do chamado Convênio Escolar, um programa entre a prefeitura e o governo do estado de São Paulo que ergueu escolas, teatros e ginásios em São Paulo ao longo das décadas de 1940 e 1950. O edifício, projetado pelo arquiteto Roberto Tibau em 1956, apresenta térreo sobre pilotis e integração entre os ambientes através de áreas verdes. As salas de aula são protegidas por para-sóis (também chamados “brise”) , o que permite a entrada de iluminação e ventilação natural. Nos vizinhos Ermelino Matarazzo e Ponte Rasa há o campus da USP Leste, Unifesp e uma Fatec.

Outro elemento importante na região de Ermelino Matarazzo é o Parque Ecológico Tietê, integrante da Área de Proteção Ambiental (APA) da Várzea do Rio Tietê, constituída em 1976. O território é destinado à preservação e proteção do patrimônio ambiental, para a conservação da biodiversidade, produção de água e regulação microclimática.