Casa Godinho, primeiro registro de bem imaterial de São Paulo, ganha livro contando sua história

Fachada da Mercearia Godinho, no térreo do Edifício Sampaio Moreira/Editora Mackenzie

Fachada da Mercearia Godinho, no térreo do Edifício Sampaio Moreira/Editora Mackenzie

Muitas gerações passaram pelos balcões da Casa Godinho desde a sua fundação em 1888, no antigo Largo da Sé, onde funcionou até 1929. Tornou-se referência e parte da memória afetiva da população. Entre seus clientes estavam figuras importantes como Assis de Chateaubriand, Adhemar de Barros e Jânio Quadros. Em dezembro de 2012 a mercearia tornou-se o primeiro bem imaterial registrado em São Paulo pelo Conpresp (Conselho Municipal do Patrimônio).

A inauguração da Casa Godinho se deu em um período de grandes transformações urbanas. As mercearias de “Secos e Molhados” supriam de alimentos os lares de boa parte da população de São Paulo e eram, geralmente, estabelecimentos de imigrantes portugueses. Seus produtos eram quase todos importados, devido ao número reduzido de fábricas nacionais: eram vinhos, biscoitos, azeites e conservas nas prateleiras.

Em 1954 a Casa Godinho abriu uma filial na Rua Líbero Badaró, no piso térreo do edifício Sampaio Moreira, onde está até hoje. Porém, após a década de 1960, a popularização dos mercados e do autoatendimento ameaçavam os antigos empórios, que buscavam maneiras de se reinventar, modernizando o estabelecimento, atendimento ou produtos oferecidos.

O balcão de doces, à esquerda, e as prateleiras de azeites à direita/André Braga/DPH
O balcão de doces, à esquerda, e as prateleiras de azeites à direita/André Braga/DPH

Mantendo-se no centro, a Casa Godinho enfrentou a concorrência dos supermercados preservando seu charme de época. Com um ambiente digno de “viagem no tempo”, ainda estão lá as prateleiras de imbuia, os pisos de ladrilho hidráulico, os temperos e especiarias a granel e, é claro, o atendimento no balcão, que aproxima o vendedor do cliente. A casa até hoje é famosa pelo seu bacalhau, pela macia empadinha de palmito e também oferece uma variedade de vinhos, nacionais e importados. 

O Edifício Sampaio Moreira passa por reformas em sua estrutura para abrigar a Secretaria Municipal de Cultura, mas a Casa Godinho continua, e continuará funcionando no mesmo endereço.

Seção de vinhos da Casa Godinho/André Braga/DPH
Seção de vinhos da Casa Godinho/André Braga/DPH

A mercearia foi o tema de pesquisa de doutorado da historiadora Silvia Soler Bianchi, autora do livro “Casa Godinho: um lugar de memória na cidade de São Paulo”, lançado no último sábado (2.jul.2016) na própria mercearia.

SERVIÇO:
Casa Godinho
Rua Libero Badaró, 340 – Centro
Horário de funcionamento: de segunda à sexta, das 7h às 19h. Não abre aos finais de semana.

Casa Godinho: Um lugar de memória na cidade de São Paulo (2015). Silvia Soler Bianchi. Editora: Mackenzie. 192 págs.