Edifício da FAU-USP é destrinchado no segundo volume da coleção “Obras Fundamentais”

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Um dos ícones da arquitetura moderna brasileira, o edifício da FAU-USP, obra do arquiteto Vilanova Artigas (1915-1985), é o tema do segundo volume do livro “Obras Fundamentais”, da Editora da Cidade. O livro, elaborado com artigos de 21 autores de diferentes áreas, aborda questões teóricas e de projeto, além de expor os desafios da preservação do edifício.

Os textos, escritos por nomes como Dalva Thomaz, arquiteta do DPH, Mônica Junqueira, Beatriz Kuhl, Joana Mello, Carlos Guilherme Mota e Mariana Rolim, estão divididos em três temas principais: “Arquitetura e Construção”, “Arquiteto e Contexto” e “Presente e Futuro”.

Durante o lançamento, em 28 de novembro, houve uma exposição dos desenhos produzidos para o livro e uma mesa de debates com os arquitetos Antonio Carlos Barossi, responsável pela organização do livro, e Felipe de Araújo Contier.

PRESERVANDO A OBRA DE ARTIGAS

Área externa do prédio da FAU-USP/Kerry O'Connor
Área externa do prédio da FAU-USP/Kerry O’Connor

Abordando a conservação do edifício, o arquiteto Silvio Oksman fala em seu texto sobre as intervenções e ações de conservação feitas no início dos anos 2000, que ao seu ver foram prejudiciais. O arquiteto questiona: quais seriam os melhores métodos para conservá-lo, uma vez que a arquitetura moderna ainda precisa de uma abordagem mais atenciosa para evitar danos irreversíveis?

Uma das dificuldades mencionadas no texto é a de reconhecer os traços do edifício como algo “histórico”, devido ao fato de que há pouco tempo entre a sua construção e o seu reconhecimento como patrimônio.

Isso, de acordo com Oksman, gera duas posturas que não contribuem para a manutenção do edifício: ou se toma uma posição extremamente preservacionista, deixando o edifício intocável, impossibilitando sua modernização; ou são realizadas intervenções que o descaracterizam, realizadas por pessoas que “supõem” o que Artigas faria no projeto de seu edifício.

A resposta de seu questionamento está em sua afirmação de que “é consenso que a forma mais efetiva de preservar um edifício é mantê-lo em pleno uso”, se referindo à flexibilidade do prédio para se adequar às novas demandas do setor de pesquisa e ensino. Para isso, porém, é necessário que se tenha um grande entendimento da obra e seu contexto. Dessa maneira, a modernização da infraestrutura, como instalação de ar-condicionado, rede de dados e elétrica, pode acontecer sem que o edifício fosse descaracterizado, preservando seus valores estéticos, construtivos, funcionais e históricos.

SERVIÇO

O edifício da FAU-USP de Vilanova Artigas (2016. Organização: Antonio Carlos Barossi. Editora da Cidade. Patrocínio: CAU/SP (Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo).

Preço: R$ 90 (na livraria Vilanova Artigas)