Giro pelas avenidas Ipiranga e São João concentra prédios emblemáticos de São Paulo

praça das artes - dph

No dia 24 de junho é comemorado o dia de São João, que também é o nome de uma importante avenida no centro de São Paulo, endereço de edifícios emblemáticos, além de famosos bares e restaurantes.

O Giro dessa semana tem como foco essa avenida e a avenida Ipiranga. O trajeto sugerido parte da estação São Bento do Metrô (Linha Azul), saindo pela parte superior, no Largo de São Bento. De lá, começamos nosso roteiro indo até a Praça Antônio Prado.

Se for logo cedo, uma boa opção para café da manhã na praça é a Casa de Doces Mathilde, uma tradicional doceria portuguesa de fabricação artesanal, fundada em 1850. As opções para uma parada de almoço são o Salve Jorge, também na praça, no Ponto Chic do Paissandú, local onde o famoso lanche Bauru foi criado, ou no histórico Bar Brahma, na esquina da avenida Ipiranga com a São João.

Praça Antônio Prado
A praça é uma homenagem ao Dr. Antônio da Silva Prado (1840-1929), responsável pela retificação de diversas ruas de São Paulo em sua gestão na administração municipal, que durou de 1899 a 1911. De lá, a primeira parada do Giro é o edifício Altino Arantes.

1- Edifício Altino Arantes

Edifício Altino Arantes, Centro/André Deak
Edifício Altino Arantes, Centro/André Deak

O edifício Art Déco, inspirado no Empire State (Nova York, EUA), é um marco referencial da região central. Resultado de um concurso vencido por Plínio Botelho do Amaral, o prédio construído em 1946 passou por algumas modificações em seu desenho original, como a reformulação da fachada, construção de novos andares e uma torre em seu topo, de onde é possível apreciar a vista da cidade de São Paulo em um raio de 40 km.

2- Edifício Martinelli

Edifício Martinelli/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo
Edifício Martinelli/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo

O prédio foi idealizado pelo empresário italiano Giuseppe Martinelli e inaugurou uma nova etapa no processo de verticalização pelo qual a cidade passava no início do século 20. O projeto inicial contava com 14 andares, mas após negociações com a Prefeitura, tornaram-se 25 pavimentos. Para provar aos que duvidavam que um prédio tão alto se manteria em pé, Martinelli ainda construiu sua própria residência, um palacete de cinco andares, em seu topo. Assim, o edifício de concreto armado e alvenaria de tijolos chegou aos 30 andares, na época o mais alto prédio da América do Sul, perdendo seu posto para o edifício Altino Arantes, em 1946.

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Vale do Anhangabaú
Descendo pela avenida São João e cruzando a rua Líbero Badaró você chegará ao Vale do Anhangabaú. Construído sobre o rio homônimo, seu nome tem origem Tupi e significa “águas do mau espírito”. Por ser uma área extensa e aberta, é possível ver outros pontos interessantes do nosso roteiro, como o Viaduto do Chá, o Viaduto Santa Ifigênia e o edifício Mirante do Vale.

3- Viaduto do Chá

Viaduto do Chá/dornicke
Viaduto do Chá/dornicke

À esquerda está o Viaduto do Chá, o primeiro viaduto da cidade. Sua estrutura foi trazida da Alemanha em 1892.
Seu nome vem do fato de ter sido construído próximo às plantações de chá que havia nos arredores. O viaduto já foi chamado de “Viaduto dos três vinténs”, valor cobrado na época para quem fosse atravessá-lo.

4- Viaduto Santa Ifigênia

Viaduto Santa Ifigênia/dornicke
Viaduto Santa Ifigênia/dornicke

À direita, bem próximo, fica o viaduto Santa Ifigênia, erguido em 1913 para aliviar o trânsito na região central. Seu projeto original previa a construção de uma estrutura de 225 m de comprimento, estrutura metálica de aço laminado, com desenhos de inspiração Art Nouveau.
Na época, o viaduto causou espanto devido a sua leveza e monumentalidade. Em 1972 esteve ameaçado de demolição, mas foi recuperado cinco anos depois, quando teve seu uso permitido apenas para pedrestres.

5- Mirante do Vale

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Foto aérea do Mirante do Vale/Lucas Chiconi

O projeto dos sócios Waldomiro Zarzur e Aron Kogan, finalizado em 1966, contava com 80 andares em seu projeto inicial. Foi o seu destaque na paisagem que fez com que Adhemar de Barros, prefeito na época, desse autorização para que a obra ultrapassasse os 100 metros. Kogan morreu em 1960 e não chegou a ver seu projeto concluído, por isso, Zarzur garantiu que o edifício, antigamente batizado de Palácio Zarzur Kogan, se tornasse o prédio mais alto da América Latina, com 170m de altura, ultrapassando até mesmo o Altino Arantes.

6- Edifício dos Correios e Telégrafos

Edifício dos Correios e Telégrafos/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo
Edifício dos Correios e Telégrafos/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo

Nas décadas de 1910 e 1920, o vale do Anhangabaú passou por diversas reformas urbanas com a construção de edifícios públicos monumentais. Nessa época foi construído o edifício sede dos Correios, em 1922. Suas linhas neoclássicas e influências renascentistas caracterizaram a produção do Escritório Técnico Ramos de Azevedo para os edifícios públicos. Após a reforma de 1997, o prédio foi adaptado para uso cultural, compartilhando o espaço com uma agência de correios.

7- Praça das Artes/Conservatório

Edifício do Conservatório e entrada da Praça das Artes/DPH/André Braga
Edifício do Conservatório e entrada da Praça das Artes/DPH/André Braga

O antigo Joachim’s Hotel foi comprado pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo em 1909, em meio a uma efervescência cultural na cidade. A instituição, criada em 1906, teve entre seus professores o poeta e escritor Mário de Andrade e o compositor Samuel Arcanjo dos Santos.

Seu edifício de estilo neoclássico possui dois pavimentos e um porão elevado e hoje integra o conjunto Praça das Artes, que abriga os corpos estáticos do Teatro Municipal, como o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, a Orquestra Experimental de Repertório e a Escola de Dança.

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Largo do Paissandu
O Largo do Paissandú já foi palco de diversas formas de entretenimento, como os circos de cavalinhos no final do século 19, o Café dos Artistas, no início do século 20, que promovia encontro de artistas circenses e empresários. O famoso palhaço Piolin realizava suas apresentações no local.  Ficam no largo a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a Galeria do Rock e Galeria Olido.

8- Cine Marrocos
Um dos grandes cinemas da área, com uma sala com aproximadamente 2 mil lugares, o prédio se destaca pela monumentalidade de sua entrada e o ritmo da fachada marcado pelos seus pilares. Atualmente está ocupado por movimentos que lutam por moradia.

9- Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

Igreja da Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo
Igreja da Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo

Durante o período colonial, os negros eram proibidos de frequentar a mesma igreja que os brancos. Assim, surge a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, fundada em 1711 por negros escravos e alforriados. Seu primeiro endereço foi na atual Praça Antonio Prado, mas com a urbanização da área, foi demolida e transferida para o endereço onde está até hoje, no centro do Largo do Paissandú. É um símbolo de resistência da comunidade negra em São Paulo.

10- Galeria do Rock

Galeria do Rock/dornicke
Galeria do Rock/dornicke

Foi apenas a partir dos anos 70 que a galeria ficou conhecida pelas lojas de discos e ganhou esse nome. Inaugurado em 1963 como Shopping Center Grandes Galerias, hoje é ponto de encontro para diversas culturas urbanas. Possui lojas especializadas em música, discos de vinil e CD’s nacionais e importados, além de roupas e acessórios.

11- Galeria Olido

Galeria Olido/DPH/André Braga
Galeria Olido/DPH/André Braga

O Cine Olido foi um dos principais cinemas da cidade, com direito a orquestra se apresentando antes do início das sessões. Com a popularização dos cinemas em shoppings ele teve suas atividades encerradas. Após as reformas, reabriu em 2004, rebatizado como Galeria Olido.
O cinema ainda exibe sessões, e o espaço da galeria oferece eventos de dança, música e artes plásticas, e o prédio também é a sede do DPH, no sétimo andar, onde são realizadas as reuniões do Conpresp.

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Avenida Ipiranga
Seguindo pela avenida São João, a primeira esquina é com a avenida Ipiranga, famosa pela citação na música “Sampa”, de Caetano Veloso. A avenida Ipiranga também é endereço de edifícios históricos do centro de São Paulo. A avenida, na década de 1950, fazia parte da Cinelândia, como era chamada a área com os grandes cinemas de São Paulo, imagem do progresso nas décadas de 1940 e 1950.

12- Galeria Califórnia

Fachada da Galeria Califórnia/dornicke
Fachada da Galeria Califórnia/dornicke

Uma das obras menos conhecidas de Oscar Niemeyer é a Galeria Califórnia, na rua Dom José de Barros, que conta com um mosaico da autoria de Cândido Portinari e um painel de Di Cavalcanti. O projeto foi uma parceria entre Niemeyer e Carlos Lemos. O edifício de 13 pavimentos possui uma fachada marcada pelas linhas horizontais, sustentadas pelos pilares em formato de “V”, criando um contraste visual para a obra.

13- Edifício Esther

Edifício Esther/Vincent Bevins
Edifício Esther/Vincent Bevins

Na esquina da Ipiranga com a rua Sete de Abril fica o edifício Esther. Sua arquitetura é uma união entre os ideais dos arquitetos Álvaro Vital Brasil e Adhemar Marinho, que seguiam a “Escola Carioca” do Movimento Moderno, e do proprietário Paulo de Almeida. O edifício tem uso misto —abriga apartamentos residenciais e comerciais— e foi inaugurado em 1938, servindo de moradia para artistas e intelectuais da época. O Esther contribuiu para uma visão mais positiva da verticalização da cidade, que até então não era muito bem aceita por partes da população.

14- Caetano de Campos

Edifício Caetano de Campos/dornicke
Edifício Caetano de Campos/dornicke

Durante o primeiro período republicano houve uma ênfase na importância da educação elementar pública, e o edifício Caetano de Campos, homenagem ao médico e educador responsável pela reorganização do ensino em São Paulo, é um dos marcos dessa época.

Com uma linguagem clássica, o edifício de 1894 possui revestimento de marcas horizontais, janelas de arco curvo e platibandas que ocultam seu telhado. Tornou-se um símbolo da valorização da arquitetura republicana após sobreviver à ameaça de demolição pela empresa construtora do metrô. Passou por reformas e restauros, e atualmente abriga a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

15- Edifício Itália

Edifício Itália/Guia de Bens Culturais de Cidade de São Paulo
Edifício Itália/Guia de Bens Culturais de Cidade de São Paulo

Resultado de um concurso internacional feito pelo Circolo Italiano de San Paolo, o projeto vencedor, de autoria de Franz Heep em colaboração com Ivan Castaldi e Herman José Wemberg, se tornou um dos símbolos do processo de verticalização do centro de São Paulo.

Sua torre possui 45 andares. A estrutura ovalada de concreto armado se  tornou um marco na paisagem paulistana.

16- Edifício Copan

Foto aérea do Copan/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo
Foto aérea do Copan/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo

O icônico edifício curvilíneo projetado por Oscar Niemeyer no final dos anos 1950 ainda é considerado a maior estrutura de concreto armado do país. O nome Copan vem da Companhia Panamericana de Hotéis e Turismo, responsável pela encomenda do projeto, inspirado no complexo multifuncional norte americano Rockfeller Center, em  Nova York. Sua obra foi interrompida diversas vezes por problemas financeiros, até que o projeto foi comprado pelo Banco Bradesco, finalizando o prédio em 1966. A fachada voltada para a avenida Ipiranga é conhecida por suas linhas horizontais revestidas de pastilhas que formam brises curvilíneos que, além de protegerem da isolação, dão à obra leveza e movimento.

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SERVIÇO
Edifício Altino Arantes
Rua João Brícola, 24, Centro
Foi sede do Banco Santander, mas hoje está fechado.

Edifício Martinelli
Avenida São João, 35, Centro
Horário para visitação: de segunda a sexta, das 9h30 às 11h30 e das 14h às 16h. Necessita agendamento prévio
http://www.prediomartinelli.com.br/visitas.php

Mirante do Vale
Avenida Prestes Maia, 241 – Rua Brigadeiro Tobias, 118 – Praça Pedro Lessa, 110.

Praça das Artes
Avenida São João, 281, Centro
Horário para visitas guiadas: de terça a sexta, às 11h, 15h e 17h. Sábados e feriados, às 11h, 12h, 14h e 15h
Inscrições no local à partir das 10h, por ordem de chegada, para todos os horários do dia.
Para mais informações sobre eventos e programação, acesse http://theatromunicipal.org.br/espaco/praca-das-artes/

Cine Marrocos
Rua Conselheiro Crispiniano, 344, Centro

Galeria do Rock
Avenida São João, 439, Centro
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 18h30. Sábado, das 9h30 às 18h. Não abre aos domingos.

Galeria Olido
Avenida São João, 473, Centro
Horário de funcionamento:  de terça a sexta, das 10h às 21h30. Sábado, das 13h às 21:30. Domingo, das 13h às 20h30.
Para mais informações sobre eventos e programação, acesse https://www.facebook.com/centroculturalolido/

Esther
Praça da República, 64, República

Copan
Avenida Ipiranga, 200, Centro
Horário para visitação: de segunda a sexta, às 10h30 e 15h30. Agendamento pelo e-mail sindico@copansp.com.br, grupos de 10 pessoas, chegar com 10 minutos de antecedência.

Itália
Av. Ipiranga, 344, Centro
Horário para visitação: de segunda a sexta (exceto feriados), das 16h às 17h. Vaga para 150 pessoas, distribuição de senhas.

BARES E RESTAURANTES

Casa Mathilde
Praça Antônio Prado, 76, Centro
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 19h30. Sábado, das 9h às 16h30

Salve Jorge
Praça Antônio Prado, 33, Centro
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 12h às 23h. Sábado, das 11h às 23h. Não abre aos domingos.

Ponto Chic
Largo do Paissandu, 27, Centro
Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 11h às 20h. Não abre aos domingos.

Bar Brahma
Avenida São João, 677, Centro
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 11h às 2h. Sábado e domingo, das 11h às 4h.
Para mais informações sobre a programação do bar, acesse
http://www.barbrahmacentro.com/

Playarte Marabá
Avenida Ipiranga, 757, Centro
Para maiores informações sobre sessões e horários, acesse http://www.playartepictures.com.br/programacao/mrb

Terraço Itália
Av. Ipiranga, 344, Centro
Restaurante:  de segunda a sexta, das 12h às 15h e das 19h às 23h. Sábado e domingo, das 12h às 18h e das 19h às 23h. É preciso reservar.
Bar:  de segunda a sexta, das 15h às 23h. Sábado e domingo, das 12h às 0h. Entrada: R$35,00. Não necessita reserva.
http://www.terracoitalia.com.br/