Diferentes épocas de São Paulo convivem na Liberdade

Detalhe do edifício da antiga escola Campos Salles/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo

Detalhe do edifício da antiga escola Campos Salles/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo

O bairro da Liberdade é famoso pela presença das comunidades asiática, que realiza neste fim de semana (16/17 de julho) o Tanabata Matsuri. O festival celebra a lenda de Orihime e seu amante, que vivem como estrelas no céu, separados pela Via Láctea. Os dois se encontram uma vez por ano, com a condição de que atendam a todos os pedidos feitos na Terra.

Porém, antes da imigração japonesa no Brasil, a região já tinha uma rica história: o bairro se formou em torno dos caminhos que ligavam São Paulo ao litoral, abrigou o primeiro cemitério de São Paulo e era o local de execução de criminosos sentenciados.

Neste roteiro, confira os pontos conhecidos da Liberdade, tome um café da manhã na padaria Itiriki, ou almoce em alguns dos restaurantes da área, além de curtir as festividades do bairro.

Assim que sair da estação Liberdade do metrô, você estará na Praça da Liberdade, o primeiro ponto do nosso roteiro.

 

1. Praça da Liberdade

Praça da Liberdade enfeitada com as decorações do festival Tanabata Matsuri/Kuca Moraes
Praça da Liberdade enfeitada com as decorações do festival Tanabata Matsuri/Kuca Moraes

Antigamente era conhecida como Largo da Forca, onde ocorriam as execuções dos sentenciados. O caso mais famoso é o do soldado Francisco José das Chagas, o Chaguinhas. Sua execução comoveu a população, que ergueu uma cruz no antigo local da forca, onde foi construída a Igreja das Almas.

Na região também havia um pelourinho, e havia forte presença da comunidade negra. Atualmente, o Núcleo de Pesquisas Angana faz um roteiro chamado “Rotas de Fuga pela Liberdade”, que rememora a presença negra no bairro.

 

2. Igreja Santa Cruz das Almas dos Enforcados

Igreja das Almas, na Praça da Liberdade/Google
Igreja das Almas, na Praça da Liberdade/Google

Na esquina da Praça da Liberdade com a avenida Liberdade está a pequena igreja, também conhecida como Igreja das Almas. Erguida no local onde Chaguinhas foi executado, a igreja de arquitetura neocolonial oferece um espaço onde os visitantes podem acender velas. É uma das duas igrejas históricas da região.

 

3. Edifício da Companhia Seguradora Brasileira

Edifício da Companhia Seguradora Brasileira/Google
Edifício da Companhia Seguradora Brasileira/Google

Seguindo pela avenida Liberdade em sentido oposto ao da praça, você encontrará o edifício da Companhia Seguradora Brasileira ao final do segundo quarteirão. Este edifício moderno de apartamentos, projetado por  Rino Levi, foi construído entre o final da década de 1940 e a metade da década de 1950.

 

4. Capela dos Aflitos

Capela em estilo colonial no fim do Beco dos Aflitos/Google
Capela em estilo colonial no fim do Beco dos Aflitos/Google

Voltando à praça da Liberdade, desça pela rua dos Estudantes. No final da rua dos Aflitos, fica a pequena capela construída em 1774 e dedicada à Nossa Senhora dos Aflitos. É tombada pelo Condephaat (conselho do patrimônio histórico do Estado de SP) e pelo Conpresp (conselho do patrimônio histórico da cidade de São Paulo). Fazia parte do primeiro cemitério da cidade, que recebia os corpos dos pobres, escravos, indigentes e dos sentenciados à forca, que também ficava na região.

 

Mapa1

 

5. Vila na rua Taguá

Imóveis em estilo missões na Rua Taguá/Google
Imóveis em estilo missões na Rua Taguá/Google

Descendo pela Galvão Bueno até a rua Fagundes, ao subir, vire à esquerda e entre na rua Taguá. A primeira quadra da rua é composta por uma sequência de casas no estilo missões, também conhecido como colonial espanhol. A Taguá cruza com a rua São Joaquim, onde está nosso próximo ponto.

 

6. Comunidade Budista Soto Zenshu

Fachada do templo da Comunidade Budista Soto Zenshu/Luis Dantas
Fachada do templo da Comunidade Budista Soto Zenshu/Luis Dantas

Descendo a rua São Joaquim, você encontrará o templo pertence à comunidade Soto Zen, que chegou no Brasil em 1955, quando os imigrantes japoneses solicitavam a vinda de missionários budistas do Japão para que pudessem exercer sua fé, cultura e tradições.
No templo acontecem casamentos, celebrações e outras atividades religiosas.

 

7. Edifício da Escola Campos Salles (futuro Museu de Arte Moderna Nipobrasileira Manabu Mabe)

Detalhe do edifício da antiga escola Campos Salles/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo
Detalhe do edifício da antiga escola Campos Salles/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo

Em frente ao templo budista fica este edifício projetado por Giovani Batista Bianchi e tombado pelo Condephaat. Fez parte das escolas construídas na época em que o Brasil se tornou república e tem características art nouveau.  Em 1992 sofreu um incêndio que destruiu parte de sua estrutura. Os alunos foram temporariamente transferidos para a escola ao lado, a E. E. Presidente Roosevelt, projetada por Paulo Mendes da Rocha (prédio importante, mas difícil de se observar da rua).
Atualmente, o Campos Salles passa por um processo de readequação para abrigar o Museu de Arte Moderna Nipobrasileira Manabu Mabe.

8. Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa

Edifício da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa/Google
Edifício da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa/Google

Se continuar descendo a São Joaquim, na esquina verá o Bunkyo, uma entidade que se dedica a representar a comunidade nipo-brasileira e promover a cultura japonesa no Brasil. Isso é feito através de eventos de danças e comidas típicas, festivais folclóricos, assim como diversos shows, eventos e oficinas.

Além de importante ponto cultural, a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa tem um prédio de linhas modernas com parte da fachada de cobogós.

 

9. Casas da família Ramos de Azevedo

À esquerda, casa das filhas do arquiteto Ramos de Azevedo, à direita, casa do arquiteto/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo
À esquerda, casa das filhas do arquiteto Ramos de Azevedo, à direita, casa do arquiteto/Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo

Subindo novamente a São Joaquim, indo para a rua Pirapitingui, estão as casas da família Ramos de Azevedo, ambas tombadas pelo Conpresp e pelo Condephaat. A mais antiga, que era do próprio arquiteto, foi construída em 1891, com linhas neorrenascentistas, alvenaria de tijolos e argamassa imitando pedra. Alguns anos depois, o arquiteto construiu as casas das filhas, com as mesmas linhas de sua casa, porém mais modestas.

Atualmente na casa de Ramos de Azevedo funciona a Global Editora, um bom exemplo de como o uso é importante na preservação dos bens tombados.

Deste ponto, a estação do metrô mais próxima é a São Joaquim. Para chegar até lá basta subir a rua Pirapitingui e virar à direita.

Mapa2

 

SERVIÇO

Núcleo de Pesquisa Angana (Movimento Cultural Penha)
Contato: (11) 2306-3369
angana.nucleodepesquisa@gmail.com
Site: http://www.tribufu-mcp.blogspot.com.br/

Igreja Santa Cruz das Almas do Enforcados
Avenida da Liberdade, 238
Horário das missas: Segunda, às 7h, 8h, 9h, 10h, 12h, 15h, 17h, 18h, e 19h. Terça a sexta, às 8h, 12h, e 18h. Sábado e domingo, às 8h, 10h e 12h.
Contato: (11)3208-7591

Capela dos Aflitos
Rua dos Aflitos, 70
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 17h. sábados e domingos das 10h às 16h.

Comunidade Budista Soto Zenshu
Rua São Joaquim, 285
Contato: (11)3208-4515/4345

Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo)
Rua São Joaquim, 381
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 17h30.
Para informações sobre os eventos realizados nos finais de semana, consulte a agenda do Bunkyo no link: http://www.bunkyo.org.br/pt-BR/agenda, ou entre em contato através do telefone (11)3208-1755.

 

ONDE COMER

Padaria Itiriki   
Rua dos Estudantes, 24
Horário de funcionamento: de segunda a domingo, das 8h às 19h.

Sweet Heart
Rua dos Aflitos, 82
Horário de funcionamento: segunda, terça e de quinta a domingo, das 10h às 20h. O local não abre às quartas.

Espaço Kazu
Rua Thomaz Gonzaga, 84/90
Horário de funcionamento:  de terça a sexta, das 11h às 15h e das 18h às 22h30. Sábado das 11h às 15h e das 17h às 22h30. Domingo das 11h às 15h e das 18h às 21h. Não abre às segundas.

Porque Sim
Rua Thomaz Gonzaga, 75
Horário de funcionamento: de segunda à sexta, com exceção das quartas, das 11h30 às 15h e das 18h às 22h.

Kidoairaku
Rua São Joaquim, 394
Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 11h30 às 13h45 e das 18h30 às 22h. Sábado das 11h30 às 13h45 e das 18h30 às 9h30.