Livros para conhecer a história da cidade de São Paulo

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por André Braga

Percebemos grande interesse nas matérias sobre a história da capital paulista que publicamos na série comemorativa do aniversário de São Paulo. Por isso, publicamos agora uma lista (que será atualizada de tempos em tempos) de livros que tratam desse assunto. Dividimos as sugestões de leitura em três categorias: publicações voltadas para o grande público, livros gerados a partir de pesquisas acadêmicas e coletâneas de fotos. Está tudo organizado em ordem alfabética. Bom proveito!

 

PUBLICAÇÕES PARA O GRANDE PÚBLICO

1922 – A SEMANA QUE NÃO TERMINOU: Marcos Augusto Gonçalves (Cia. das Letras)

7. Marcos Augusto Gonçalvez - 1922 a semana que não terminou

Numa narrativa que procura mesclar linguagem jornalística e relato histórico, Marcos Augusto Gonçalves dá vida aos personagens e descreve as jornadas que animaram o Teatro Municipal nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, durante o festival que ficou conhecido como ‘Semana de Arte Moderna’. Ao mesmo tempo em que reconstitui passo a passo o evento, o autor busca despir o episódio de mitos que o foram cercando ao longo do tempo – desde certas fantasias associadas a uma espécie de superioridade paulista na formação da cultura moderna brasileira, até as versões que, ao contrário, insistem em diminuir a importância histórica dos festivais encenados pelos rapazes modernistas e patrocinados pela elite econômica da emergente Pauliceia. O autor procura reavaliar a participação do Rio de Janeiro naqueles anos de formação da modernidade artística, e inscreve os jovens personagens de 1922 numa rede de relações pessoais ampla e complexa – na qual trafegam oligarcas, playboys, mecenas, mulheres fatais, imortais da Academia e poetas ‘passadistas’. O livro tem base em pesquisa, bibliografia e entrevistas com especialistas e também traz fotos e reproduções

 

CAPITAL DA SOLIDÃO: Roberto Pompeu de Toledo  (Objetiva)

52. Capital da Solidão

Uma história de São Paulo, das origens a 1900, escrita por Roberto Pompeu de Toledo. O autor mergulhou ao longo de quatro anos numa minuciosa pesquisa para reconstruir a história da primeira vila do interior do Brasil, até se tornar metrópole em 1900.

 

CAPITAL DA VERTIGEM: Roberto Pompeu de Toledo (Objetiva)

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O jornalista Roberto Pompeu de Toledo narra em ‘A capital da vertigem’ sua arrancada rumo à modernidade. Eis uma cidade que deixa a condição de vila e se torna a maior metrópole do país. É a capital da vertigem – vertigem artística, industrial, demográfica, social e urbanística. Neste painel que vai do início do século XX a 1954 – quando a cidade completa quatrocentos anos -, aparecem personagens como Oswald e Mário de Andrade, Monteiro Lobato, Washington Luís, Prestes Maia, e Francisco Matarazzo, e surgem episódios que vão da Semana de Arte Moderna de 1922 à epidemia de gripe espanhola, da Revolução de 1924 à chegada do futebol ao país.

 

DE SÃO PAULO: CINCO CRÔNICAS DE MÁRIO DE ANDRADE: Mário de Andrade (Senac)

39. De são paulo

Em 1920 – 1921 São Paulo já era uma promissora metrópole de 580 mil habitantes e forte impulso de crescimento, mas ainda provinciana. Nesse contexto, o jovem intelectual Mário de Andrade firmava e acelerava passos de jornalista crítico colaborando em jornais e revistas de sua cidade e do Rio de Janeiro. Para a carioca Ilustração Brasileira escreveu uma série de cinco crônicas sob o título geral “De São Paulo” e sob o signo do modernismo, cuja bandeira desfraldava e poucos meses depois hasteariano Teatro Municipal, por ocasião da famosa Semana de 22. Essas crônicas de Mário, conhecidas apenas por especialistas em sua obra, compõem este ‘De São Paulo: cinco crônicas de Mário de Andrade’ organizado, introduzido e esclarecido por notas de TelêAncona Lopes.

 

DICIONÁRIO DE HISTÓRIA DE SÃO PAULO: Antônio Barreto do Amaral (Imprensa Oficial)

45. Dicionário de história de são paulo

‘A Coleção Paulística’ trata de diversos aspectos da História do Estado de São Paulo, de sua formação e cultura, de alguns de seus municípios e de algumas de suas personalidades. Disponibiliza-se, assim, a pesquisadores e estudiosos da história de São Paulo, bem como ao público em geral. Os exemplares selecionados, escritos por nomes relevantes da prosa paulista, cobrem desde a saga dos Bandeirantes até a história dos teatros paulistas, destacando-se o ‘Dicionário de História de São Paulo’.

 

ORFEU EXTÁTICO NA METRÓPOLE: Nicolau Servcenko (Cia. das Letras)

51. Orfeu Extático na Metrópole

Orfeu, herói da mitologia grega, era louvado como o celebrante da música, da exaltação e do êxtase coletivo. Neste estudo sobre o impacto das novas tecnologias nos processos de metropolização, Nicolau Sevcenko usa as imagens dos rituais órficos como um emblema. O cenário é a cidade de São Paulo nos anos 20, quando passava pelo boom de crescimento e urbanização que a transformaria numa metrópole moderna. O frêmito das tecnologias mecânicas de aceleração se transpõe para os corpos e as mentes por meio de celebrações físicas, cívicas e míticas no espaço público. O pano de fundo: a Primeira Guerra, as tensões revolucionárias, a explosão da Arte Moderna e o delírio frenético do jazz. Os personagens: a população de um experimento social em escala gigantesca, na busca de uma identidade utópica.

 

O SENTIDO DA REVOLUÇÃO: Caio Prado Jr. (Boitempo Editorial)

50. O sentido da Revolução

Longe de ser apenas uma biografia de Caio Prado Júnior, o livro de Lincoln Secco relaciona a vasta produção acadêmica de seu personagem a uma trajetória dedicada à militância política, compondo um retrato rico da vida e obra de um dos mais relevantes intelectuais marxistas brasileiros.
Caio Prado Júnior: o sentido da revolução traz elementos fundamentais para a compreensão das transformações, lutas sociais e conflitos enfrentados pelo Brasil durante o século XX, tornando-se, nas palavras de Ricardo Musse, autor da orelha do livro, “um esboço da história do marxismo brasileiro”. Em razão da própria trajetória pessoal do biografado, Secco constrói também um panorama da sociedade paulistana da época e dos ambientes freqüentados pela destacada família Prado.
O historiador, economista, geógrafo e militante comunista Caio Prado Júnior não dissociou suas atividades intelectuais das políticas e direcionou seu pensamento para o estudo e a superação dos problemas do país em que viveu e pelo qual lutou. Tanto a originalidade de sua produção teórica como seu pioneirismo ao formular uma imagem marxista do Brasil estão contemplados na obra de Lincoln Secco.

Para o autor, trata-se de uma biografia política, focada em compreender a adesão ao marxismo e aspectos da relação, por vezes conflituosa, de Caio Prado Júnior com seu partido, o PCB. Mesmo assim, a importância cultural e histórica de sua personalidade não foi deixada de lado. Caio Prado Júnior é obra necessária para conhecer esta figura fundamental da vida brasileira em suas múltiplas dimensões.

 

PAULICÉIA DESVAIRADA: Mário de Andrade (Ciranda Cultural)

29. Pauliceia Desvairada

Neste livro, o leitor encontrará a primeira obra marcadamente modernista de Mário de Andrade, um dos mais ativos participantes da Semana de Arte Moderna de 1922 e autor do Modernismo brasileiro. Vista sob a ótica do Arlequim, da loucura, e representada por meio de recursos estilísticos inspirados nas vanguardas europeias, a Pauliceia desvairada marioandradeana revela-se multicultural e cosmopolita: atual, portanto, como a obra do escritor.

 

SÃO PAULO – FOLHA EXPLICA: Raquel Rolnik (Publifolha)

34. São Paulo folha explica

Com 10 milhões de habitantes, São Paulo é hoje uma das maiores cidades do planeta. Reúne a pujança industrial e comercial ao desemprego e miséria, da combinação cosmopolita de culturas ao caos na habitação e no trânsito. Não há problemas nem marca urbanística que não tenha explicação. Ao longo deste livro, aprende-se o que foi a evolução histórica da cidade e como se chegou ao estado atual das coisas.

 

SÃO PAULO NOS PRIMEIROS ANOS 1554-1601: Afonso de Escragnolle Taunay (Paz e Terra)

46. São paulo nos primeiros anos 1554-1601

Este livro narra a vida precária e difícil que levaram os primeiros moradores da vila estabelecida no planalto, baseando-se no que ficou registrado nas Atas da Câmara Municipal. Da dificuldade de conservar o muro de taipa que protegia a vila à existência de corrente e cadeado a principal forma de comércio à dificuldade em se obter uma caixa com cadeado para guardar os papéis oficiais da Câmara, surge um quadro contundente da aventura enfrentada pelos primeiros colonizadores a se estabelecer no sertão do Brasil.

 

PUBLICAÇÕES DE PESQUISAS ACADÊMICAS

ARQUITETURA DO FERRO E ARQUITETURA FERROVIÁRIA EM SÃO PAULO: Beatriz Mugayar Kühl (Ateliê Editorial)

33. Arquitetura do ferro e arquitetura ferroviária em são paulo

O livro trata da preservação da arquitetura do ferro em São Paulo, sendo investigadas, a título de exemplo, estações de um trecho de linha ferroviária. Apresenta ainda a história da arquitetura do ferro, a fabricação de edifícios para exportação pelos países industrializados e seu emprego no Brasil, as teorias de preservação e as técnicas de restauração de construções metálicas.

 

ARQUITETURA ITALIANA EM SÃO PAULO: Anita Salmoni/Emma Debenedetti (Perspectiva)

15. Anita Salmoni - Emma Debenedetti - Arquitetura Italiana em São Paulo

Arquitetura Italiana em São Paulo é primeiro trabalho a abordar, de forma sistemática, a participação italiana no labor arquitetônico de São Paulo, a partir do último quartel do século XIX. Acompanha a produção de um espaço urbano, a qual se distingue por sua característica coletiva e se deve ao conjunto anônimo de imigrantes, marco inicial do processo, até a obra contemporânea, assinada individualmente por arquitetos de mesma extração. Mas tudo o que esta pesquisa pioneira levanta e discute no domínio da contribuição grupal específica tem, igualmente, um interesse fundamental para a configuração de importantes elementos culturais da maior significação na sociedade brasileira e, principalmente, na paulista. Trata-se, portanto, de obra hoje indispensável para os estudos sócio-urbanísticos e sócio-arquitetônicos de nossa história e cultura.

 

ATITUDES RACIAIS DE PRETOS E MULATOS EM SÃO PAULO: Virgínia Leone Bicudo (Sociologia e Política)

41. Atitudes raciais de pretos e mulatos em são paulo

Publicação inédita da dissertação de mestrado de Virgínia Leone Bicudo, intitulada “Estudos sobre atitudes raciais de pretos e mulatos em São Paulo”. Tendo por base estudos de caso, entrevistas, exame de documentação da “Frente Negra Brasileira” (1931-1937) e do jornal “Voz da Raça”, a autora elabora uma análise das relações sociais na cidade de São Paulo. Por meio do estudo das “atitudes raciais” Virgínia apresenta um universo dividido em classes representado por negros, mulatos e brancos. Este mundo desigual e permeado por conflitos, competição, mobilidade social, busca de status, preconceito de cor e discriminação racial.

 

BRANCOS E NEGROS EM SÃO PAULO:  Florestan Fernandes/Roger Bastide (Global Editora)

37. Brancos e negros em são paulo

Após a Segunda Guerra Mundial, a Unesco financiou uma série de pesquisas no Brasil a respeito das relações raciais no país. Tal iniciativa tinha como fulcro a crença de que o Brasil representava um cenário singular no tocante às relações raciais, onde os contatos entre brancos e negros tenderiam para a harmonização, visão que teria sido consagrada pelos trabalhos de Gilberto Freyre. A pedido do órgão mundial, foram realizadas pesquisas no Recife, em Salvador, no Rio de Janeiro e em São Paulo, este último um dos espaços que reservaria enorme riqueza de contrastes para o problema a ser enfrentado. A porção paulistana da pesquisa ficou a cargo de Roger Bastide e de seu pupilo Florestan Fernandes e resultaria no livro Relações raciais entre brancos e negros em São Paulo, publicado pela Anhembi, em 1955. Anos mais tarde, o trabalho seria modificado e republicado com o título Brancos e negros em São Paulo, pela Companhia Editora Nacional, em sua Coleção Brasiliana. O estudo de Bastide e de Fernandes adota instrumentos teórico-metodológicos da sociologia crítica para o enfrentamento de uma questão premente do desenvolvimento do país – a inserção do negro na ordem social capitalista brasileira. Representações coletivas sobre o negro, bem como pesquisas de campo a respeito das posições que eles assumiram na sociedade paulistana, são minuciosamente interpretadas pelos dois estudiosos. No atual estágio acalorado de debates sobre as cotas raciais, onde os argumentos anti-racistas universalista e diferencialista se contrapõem, ‘Brancos e negros em São Paulo’ reaparece oferecendo uma análise criteriosa e desafiadora a respeito de um dos principais nós históricos da formação brasileira.

 

O BRASIL COMO O DESTINO: Eva Alterman Blay (UNESP)

24. O brasil como destino

Os imigrantes judeus começaram a desembarcar no Brasil já no início do século 16, num movimento que prosseguiria até as primeiras décadas do século 20. A historiografia brasileira, porém, ignora sua existência: não há vestígios desses imigrantes nos livros escolares ou nos compêndios universitários. Nesta obra, a socióloga Eva Blay propõe-se resgatar essa longa trajetória. Ela reúne informações de pesquisa histórica e, de forma pouco usual, entrevistas com judeus que vivem no país. O livro reproduz relatos de imigrantes provenientes de 17 países – a maioria da Europa Ocidental – e de diferentes classes sociais, questionando o estereótipo do judeu rico e bem sucedido.

 

BREVE INTRODUÇÃO À ARQUITETURA CLÁSSICA EM SÃO PAULO: Gilberto da Silva Francisco (Cultura Acadêmica)

19. BREVE INTRODUÇÃO À ARQUITETURA CLÁSSICA EM SÃO PAULO

“[…] a arquitetura clássica, descrita e analisada com tanta perícia neste livro, é como um fractal da arquitetura urbana, daquela mais monumental, que reproduz um mesmo padrão em todos os outros estilos que adota. Uma arquitetura quase sem caráter, macunaímica. Um espelho para refletirmos sobre nós mesmos, sobre a cidade que construímos e que nos constrói e destrói todos os dias e sobre as possibilidades, que existem, de recuperá-la para seus habitantes. Este belo livro nos ensina, por fim, a olhar para esse recorte da cidade e a históricizá-lo em qualquer um dos tempos em que tenha sido empregado ou que, no futuro, venha a empregá-lo novamento. É um momento de respiro e paz no turbilhão caótico da metrópole que tem que parar.” Norberto Luiz Guarinello (FFLCH-USP)

 

OS CAMINHOS DA RIQUEZA DOS PAULISTANOS NA PRIMEIRA METADE DO OITOCENTOS: Maria Lucilia Viveiros Araújo (Hucitec)

36. Caminhos da riqueza dos paulistanos na primeira metade do oitocentos

O livro trata da formação da capital de São Paulo. Em especial das estratégias de sobrevivências e ascensão social das primeiras gerações de paulistas com projeção “nacional”. Busca compreender a origem do processo que levou a pequena vila da América portuguesa a tornar-se a maior metrópole da América do Sul. Discorre sobre o lento processo de acumulação de capitais – do mercado de abastecimento ao mercado atlântico – que precedeu o boom cafeeiro. Anallisa as implicações da alta concentração de bens em poucas famílias paulistanas desde o século XVIII, e compara esses dados com os índices recente. Isto é, o livro relata as histórias de vida dos antigos paulistanos e aponta a gênese da exclusão social.

 

CAPITAL – SÃO PAULO E SEU PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO: Antônio Carlos Abdalla (Imprensa Oficial)

8. Juan Esteves - Antonio Carlos Abdalla - Capital SP E seu patrimonio arquitetonico

‘A Secretaria de Estado da cultura de São Paulo tem imensa satisfação em apoiar a reedição do livro ‘Capital – São Paulo e seu patrimônio arquitetônico, de Juan Esteves. Com curadoria de Antonio Carlos Abdalla, o conjunto de fotografias selecionadas oferece um amplo panorama da diversidade de edifícios de distintas naturezas que marcaram a capital paulista ao longo de sua história, especialmente os últimos 100 anos. Colocado em evidência no magistral registro de Juan Esteves, o patrimônio arqutetônico paulistano pode aqui ser apreciado nos detalhes que acabam por ficar invisíveis em meio à agitação cotidiana da metrópole. Ao dar merecida visibilidade aos edifícios retratados, esta publicação ajuda a sensibilizar para a necessidade de preservação desse patrimônio, uma importantíssima e difícil tarefa, que precisava envolver toda a sociedade.’ – Marcelo Mattos Araujo

 

OS CARNAVAIS DE RUA E DOS CLUBES NA CIDADE DE SÃO PAULO: Zélia Lopes da Silva (UNESP)

11. Zélia Lopes da Silva - Os carnavais de rua e dos clubes na cidade de são Paulo

Neste livro, a autora discute os diferentes sentidos que foram atribuídos pelos contemporâneos e pela bibliografia especializada ao carnaval brincado na cidade de São Paulo, de 1923 a 1938. Ao longo desse percurso, Zélia Lopes da Silva procura detectar as disputas ocorridas nesses carnavais que evidenciam os vínculos e as diferenças de classe presentes na organização, estruturação dos espaços das brincadeiras e apresentação dos foliões, e no registro ou não das diversas performances pela imprensa.

 

CASAMENTO E FAMÍLIA EM SÃO PAULO COLONIAL: Alzira Lobo de Arruda Campos (Paz e Terra)

40. Casamento e família em são paulo colonial

As formas de casar, constituir família e, também, de descasar em São Paulo, ao longo de três séculos, é o tema deste livro. Os padrões de escolha do cônjuge, a corte amorosa, os agenciadores, o dote, o processo nupcial, os tipos de família, os papéis sociais, as dificuldades do convívio, as práticas sexuais, a criação dos filhos, as incompatibilidades entre os cônjuges, os descaminhos, o adultério e a sedução, a violência doméstica e, por fim, os processos de separação e divórcio com suas dores e dificuldades são analisados pela autora com riqueza de detalhes. Abrangente e muito documentado, o livro traça um retrato vivo e original da sociedade paulistana no período colonial. Alzira Lobo de Arruda Campos é especialista em História Social e das Mentalidades.

 

A CIDADE DE SÃO PAULO: POVOAMENTO E POPULAÇÃO – 1750-1850: Maria Luiza Marcilio (EDUSP)

27. A cidade de São Paulo

A Cidade de São Paulo é o resultado da tese de doutorado da autora defendida na Université Paris-Sorbonne em 1967, e publicada em francês no ano seguinte; em português, foi publicada a primeira edição em 1973. Com este livro, Maria Luiza Marcílio ajudou a es elecer as bases da demografia histórica no Brasil, trabalhando com os registros paroquiais (de batizados, casamentos e óbitos) e com os recenseamentos nominativos primitivos, de 1750 a 1850. Com ele, pela primeira vez na história do Brasil apareceu a dinâmica demográfica da natalidade, da nupcialidade, da família es elecida e também da família de união estável, preponderante então, além da mortalidade. O estudo demográfico trouxe também uma história social e religiosa, visto que os registros eram todos paroquiais, proporcionando ainda um panorama econômico da cidade, ao traçar um recorte da atividade econômica em diferentes momentos da trajetória de São Paulo.

 

CLASSE E NAÇÃO – TRABALHADORES E SOCIALISTAS ITALIANOS EM SÃO PAULO: Luigi Biondi (UNICAMP)

35. Classe e Nação

Ao reconstruir as formas de organização dos trabalhadores italianos em São Paulo entre 1890 e1920, este livro adota um olhar transnacional para focalizar as experiências e trajetórias dos trabalhadores imigrados, em particular dos militantes socialistas italianos. Analisando os vários movimentos que caracterizaram a atividade desses trabalhadores em São Paulo, procura discutir suas identidades de classe e nacionais, bem como sua atuação multifacetada nas sociedades de socorro mútuo, nos sindicatos, nas associações de lazer e culturais, nas lojas maçônicas e nos círculos políticos de diferentes tendências, nas greves e festas.

 

CRIME E COTIDIANO: A CRIMINALIDADE EM SÃO PAULO (1880-1924): Boris Fausto (EDUSP)

18. Crime e Cotidiano

Ao fazer uma análise da criminalidade em São Paulo entre 1880 e 1920, Boris Fausto aborda uma das facetas menos conhecidas desse período. Mostra como a repressão à marginalidade social e à delinqüência surge como uma forma eficaz de controle social, ao mesmo tempo em que investiga as formas de transgressão das normas penais, concentrando-se em homicídios, furtos e roubos, e crimes de natureza sexual. A abordagem penetra no terreno da microhistória, no que ela tem de mais significativo, recuperando relações sociais de tensão e conflito, no interior das casas, nas ruas, nos botequins e bordéis. No momento em que o tema da criminalidade e segurança ganha uma dimensão dramática na sociedade brasileira, torna-se importante conhecer as raízes desse quadro e seu agravamento ao longo do tempo.

 

CRISTÃOS-NOVOS EM SÃO PAULO (SÉCULOS XVI-XIX): Marcelo Meira Amaral Bogaciovas

30. Cristãos Novos em são Paulo

Ao contrário do que se pensa, houve, sim, Inquisição em São Paulo, inclusive com Visitação do Santo Ofício. Fizeram-se fintas (cobrança de impostos) exclusivas a cristãos-novos, registraram-se ondas de denúncia e caça aos judaizantes. Paulistas e parentes seus, tanto em São Paulo como em outras partes do Brasil ou de Portugal, foram jogados aos porões da Inquisição, e alguns acabaram executados ou levados à loucura por não compreenderem o ‘crime’ que tinham praticado; outros morreram, ou por tortura ou por doenças adquiridas pelas condições insalubres dos cárceres, mesmo antes de serem julgados. Famílias ficaram desamparadas e empobrecidas em virtude do sequestro de bens dos presos, ou pela ausência forçada do pai ou da mãe, ou de ambos. Isso sem contar o medo generalizado e a pressão psicológica que a instituição provocava no imaginário do povo, notadamente por receio de delações dos temidos e famigerados familiares do Santo Ofício, verdadeiros vigias do comportamento moral e religioso.

 

 

A GRIPE ESPANHOLA EM SÃO PAULO 1918: Claudio Bertolli Filho (Paz e Terra)

42. A Gripe espanhola em são paulo 1918

No período de 15 de outubro a 19 de dezembro de 1918 a cidade de São Paulo foi tomada por uma epidemia de influenza que ficou conhecida como gripe espanhola e atingiu 350 mil pessoas, um terço da população! Nos 66 dias que São Paulo conviveu com a doença e a morte, revelaram-se novas facetas de uma cidade que buscava ajustar sua vida nos quadros da modernidade. A epidemia trouxe à tona tanto a fragilidade como o poder de resistência de uma cidade de imigrantes, tomada por um medo sem precedentes, mas também por iniciativas centradas na solidariedade coletiva e no socorro mútuo. Cláudio Bertolli Filho é especialista em História e Ciências Sociais aplicadas à saúde.

 

IMIGRAÇÃO E POLÍTICA EM SÃO PAULO: Celia Sakurai/Boris Fausto/Oswaldo Truzzi (Edufscar)

47. Imigração e política em são paulo

Neste trabalho os autores procuram explorar algumas conexões entre imigrantes e política e, mais especificamente, entre imigrantes e participação política no Estado de São Paulo durante a Primeira República.

 

OS INDÍGENAS DO PLANALTO PAULISTA NAS CRÔNICAS QUINHENTISTAS E SEISCENTISTAS: Benedito Prezia (Humanitas)

38. os Indígenas do planalto paulista nas crônicas quinhentistas e seiscentistas

“Este livro vem retomar dois pontos um tanto esquecidos: a questão Guaianá, que envolveu historiadores e lingüistas no início desse século passado, quando se discutia se a população indígena de Piratininga era ou não tupi; e os grupos indígenas menores que viviam nas proximidades de Piratininga. A partir dos escritos de cronistas e missionários dos séculos XVI e XVII, o autor, entre outros enfoques, levanta a hipótese de que o etnônimo Guaianá/Guaianã foi atribuído a vários grupos indígenas no Brasil e que em São Paulo identificou dois povos, ambos de língua do tronco macro-jê, os Guaianá, que viviam na Serra do Mar, próximos culturalmente aos Puri, e os Guaianã do Sul, trazidos para São Paulo em meados do século XVII, que seriam ancestrais dos Kaingang. Traços culturais dos Maromomi, conhecidos como Guarulho, são igualmente enfocados, assim como aspectos fundamentais do grupo Tupi/Tupinikim, que vivia no planalto de Piratininga.”

 

MEMÓRIA, HISTÓRIA, IMAGEM – A PRESENÇA DO ESPANHOL EM SÃO PAULO: Manoel Bellotto (Altamira)

23. Memória, história, imagem - a presença do espanhol em são paulo

‘Sinto-me contente por ter a oportunidade de apresentar este trabalho ao qual Bellotto e Neide se dedicaram com tanto entusiasmo. Um livro que reúne uma série de textos agrupados em torno da imigração espanhola em São Paulo na primeira metade do século XX, tema ao qual a historiografia não tem dado a mesma atenção que aquela demonstrada pela italiana. Podemos acompanhar, assim, o quadro desenhado sobre a imigração espanhola, que mostra seu perfil e suas particularidades. Entendemos porque os espanhóis deixaram sua terra natal, as razões de seu acolhimento no Brasil e os diversos destinos que lhe couberam no estado de São Paulo. A saga da imigração espanhola ganha contornos mais concretos com a identificação das histórias de algumas famílias e com a eleição de determinadas figuras importantes desse grupo que aqui aportou. Desse modo, fica evidenciada a contribuição dos imigrantes espanhóis para a construção da riqueza de São Paulo e seus aportes ao mundo da cultura de das artes. A leitura do livro se enriquece com a sequência muito bem escolhida de imagens sobre os imigrantes espanhóis que foram pesquisadas pelos autores em diversos acervos. Nelas, estão retratadas todas as etapas da imigração espanhola desde a chegada ao Brasil, salientando-se as fotografias das famílias, das atividades de trabalho e das produções culturais. Este livro, que se lê com prazer, se destina a um público amplo tanto por seu tema, como por sua linguagem clara e direta. A leitura flui facilmente, conferindo à imigração uma face humana com a qual todos podem se identificar.’ – Maria Ligia Coelho Prado

 

METRÓPOLE E CULTURA: SÃO PAULO NO MEIO SÉCULO XX: Maria Arminda do Nascimento Arruda (EDUSP)

5. Maria Arminda do Nascimento Arruda - Metrópole e Cultura

Fruto de sua livre docência, neste livro a socióloga Maria Arminda analisa a formação da metrópole paulista através dos fenômenos históricos e sociais do meio do século XX. O recorte temporal privilegia o estudo dos desdobramentos de eventos emblemáticos, como o movimento da Semana de 22, a Segunda Guerra Mundial e o fim do Estado Novo, na tentativa de entender em que moldes se deu a modernidade em São Paulo. A efervescência cultural e intelectual manifesta na dramaturgia de Jorge Andrade, nas peças do Teatro Brasileiro de Comédia, na criação do MASP, nas vanguardas das Artes Visuais e da Poesia, e na sociologia de Florestan Fernandes é investigada em seu contexto histórico. Evidenciando, portanto, as relações entre empresariado, políticos, jornalistas e artistas, entre outros atores e grupos sociais, esta é uma leitura capaz de interessar também ao público em geral

 

MONÇÕES E CAPÍTULOS DE EXPANSÃO PAULISTA: Sérgio Buarque De Holanda (Cia. das Letras)

21. Monções e capítulos de expansão paulista - caixa sérgio buarque de holanda

Monções, volume publicado originalmente em 1945, trata das expedições portuguesas ao interior da Colônia por rios do Sudeste e do Centro-Oeste. Aqui, com grande talento narrativo e habilidade ímpar de compreensão histórica, o autor reconstitui o processo de adaptação dos portugueses ao território americano de forma original, a partir de descrições palpáveis da áspera empreitada colonial.
Em sua quarta edição, o livro é publicado ao lado de coletânea de organização inédita, Capítulos de expansão paulista – cujo título (inspirado em Capistrano de Abreu) dá continuidade à série dos escritos inacabados do historiador paulista, tais como Capítulos de literatura colonial e Capítulos de história do Império. Esta reúne “fragmentos” do projeto idealizado por Buarque de Holanda de reescrever e ampliar Monções com novas informações que recolhera ao longo de pesquisas feitas em Cuiabá e Lisboa, e portanto lhe serve de complemento perfeito.
A hipótese da tentativa de “reescritura” de Monções, fato novo e instigante nos estudos sobre Sérgio Buarque, é ancorada em pesquisas desenvolvidas pelos organizadores, nas quais tiveram acesso a documentos inéditos.

 

MORADA PAULISTA: Luís Saia (Perspectiva)

28. Morada Paulista

Neste livro do arquiteto Luís Saia, a Morada Paulista é vista através de um seguro corte histórico e geopolítico. Por seu intermédio, o meio natural, o estudo do solo, a cultura do café, a influência européia, a efervescência literária indígena, vão sendo paulatinamente revelados, servidos por rica iconografia e um exato levantamento de materiais arquitetônicos.

 

O MUSEU PAULISTA: Ana Claudia Fonseca Brefe (UNESP)

48. O museu paulista

Obra que retrata o Museu Paulista (conhecido como Museu do Ipiranga), a partir de sua construção, em fins do século XIX, como depositário da memória nacional atrelada à paulista, construída por meio da epopéia bandeirante e da vocação desbravadora paulista, desde os tempos coloniais e materializada em objetos, documentos e iconografia, numa narrativa cuja pertinência das análises e profundidade da pesquisa tornam o livro fundamental para os estudos sobre a disciplina História, conforme definida na ocasião e nas décadas iniciais do século XX. Resgata a figura de Affonso d’Escragnolle Taunay, quem literalmente forjou a vocação histórica do Museu Paulista durante sua atuação como diretor entre 1917 e 1939, dando lógica e ordenamento à coleção de objetos históricos espalhados pelo prédio anteriormente, separando o objetivo inicial de dedicação às ciências naturais e à exposição de exemplares da fauna e da flora brasileiras.

 

O PALACETE PAULISTANO: Maria Cecília Naclério Homem (Martins Fontes)

44. O Palacete paulistano

O palacete, nome que designou durante muito tempo a casa mais abastada da cidade de São Paulo, correspondendo ao termo ‘mansão’, serviu primeiramente de residência da elite do café que viveu na chamada belle époque paulista, na virada do século. Esse tipo de casa nasceu nos caminhos da velha Estação da Luz, para chegar à Avenida Paulista, onde se formou seu conjunto mais expressivo. Este livro apresenta a origem deste espaço e sua história.

 

PATRÍCIOS: Oswaldo Truzzi (UNESP)

25. Patrícios

Os sírios e libaneses e seus descendentes, que ainda hoje comumente se referem uns aos outros como patrícios, formaram uma colônia razoavelmente numerosa no estado de São Paulo. Este livro procura dar conta dos principais determinantes das trajetórias sociais percorridas por essa colônia, compreendida como imigrantes e seus descendentes, entre os anos 90 do século XIX e a década de 1960 do século passado, com exceção do capítulo sobre muçulmanos árabes, cuja referência é mais atual

PLURALIDADE URBANA EM SÃO PAULO: Lúcio Kowaric e Heitor Frúgoli Jr. (orgs.) (Editora 34)

6. Lucio Kowarick - Heitor Frugoli Jr - Pluraridade Urbana em São Paulo

São Paulo, atualmente com 11,5 milhões de habitantes, foi a cidade que mais cresceu durante o século XX em comparação às metrópoles europeias e norte-americanas. Apesar de significativas melhorias na infraestrutura urbana – rede de água e esgoto, coleta de lixo etc. -, ela concentra um crescente número de favelados, cerca de 1,5 milhão, 1 milhão de moradores em cortiços, além de 2 milhões de pessoas que habitam nas áreas de proteção de mananciais, nas bordas das represas Guarapiranga e Billings. É uma metrópole que conjuga grupos ricos e outros extremamente mais numerosos compostos por camadas pobres. “Decifra-me ou te devoro” constitui uma metáfora já utilizada a fim de entender as dificuldades para analisar sua complexidade e suas contradições. A presente coletânea procura desvendar algumas faces enigmáticas dessa esfinge, tais como a violência urbana, as moradias precárias e os partidos políticos. Mas acerca deste último aspecto, propomos uma concepção ampla de política, incorporando eventos como os protestos de 2013 e a ocupação de prédios na áreas centrais da cidade. Nos seus 14 capítulos, antropólogos, sociólogos, cientistas políticos e urbanistas que têm se dedicado ao estudo da metrópole paulistana aprofundam questões como segregação urbana, o uso das praças e ruas das zonas centrais, a produção cultural proveniente das periferias, a extrema vulnerabilidade da “cracolândia” e a influência do PCC na diminuição da taxa de homicídios. Trata-se uma coletânea que interessa não só a pesquisadores das áreas de ciências humanas, mas também a todos aqueles que almejam uma cidade mais democrática e eficaz no enfrentamento dos problemas urbanos e sociais

 

SALAS DE CINEMA E HISTORIA URBANA DE SÃO PAULO (1895-1930): José Inácio de Melo Souza (Senac)

20. SALAS DE CINEMA E HISTORIA URBANA DE SÃO PAULO (1895-1930)

Salas de Cinema e História Urbana de São Paulo (1895-1930) – o Cinema Dos Engenheiros apresenta um vasto panorama sobre os espaços de exibição cinematográfica na cidade de São Paulo, cobrindo todo o ciclo do cinema silencioso. Por meio da documentação custodiada pelo Arquivo Histórico de São Paulo (AHSP-SMC/PMSP), um dos principais acervos históricos da cidade, o autor reconstitui um momento significativo da história do cinema e da memória urbana paulistana do século XX, marcado pela presença das ‘salas de rua’. Nesta edição, que amplia os estudos de seu livro Imagens do passado: São Paulo e Rio de Janeiro nos primórdios do cinema, o autor recupera no rico conjunto documental do AHSP projetos de salas especialmente construídas, ou adaptações, para abrigar os cinematógrafos, reproduzindo fachadas, plantas e cortes dessas edificações, além de outros registros de acervos diversos, como anúncios na imprensa, fotografias e cartões-postais. José Inacio de Melo Souza, um dos mais dedicados pesquisadores da história do cinema no Brasil, destaca documentos pouco conhecidos, delineando uma perspectiva renovada sobre esse complexo momento de introdução do cinema em São Paulo e a constituição de um circuito de distribuição e exibição, espaço de socialização privilegiado da modernidade.

 

SÃO PAULO: Jorge Wilhelm (Senac)

31. São Paulo

Neste livro, o arquiteto Jorge Wilheim analisa a cidade de São Paulo como um organismo vivo, buscando interpretar o cotidiano urbano e seus múltiplos desafios, para os quais aponta possíveis soluções. Ao reconstituir a história da ocupação da área em que a cidade foi fundada, relaciona-a à topografia local, aos projetos administrativos de diferentes épocas e ao conhecimento e tecnologias a eles subjacentes. Mediante essa abordagem, identifica constâncias e anomalias, influências internas e externas, os principais problemas da metrópole e os maiores anseios de seus cidadãos.

 

SÃO PAULO: ARTES E ETNIAS: Percival Tirapeli (UNESP)

13. Percival Tirapeli - São Paulo Artes e Etnias

O autor apresenta uma coleção de obras de arte da capital paulista, relacionando-as às origens étnicas de seus autores. Entre as inúmeras obras retratadas, encontram-se exemplares de arquitetura, escultura, pintura, algumas nunca antes expostas ao público ou reproduzidas em livro.

 

SAO PAULO, LITERALMENTE: João Correia Filho (LeYa)

16. João-Correia-Filho-SãoPaulo-Literalmente

Desvende as trilhas literárias da Pauliceia. A Pauliceia, hoje tão desvairada como nos tempos de Mário de Andrade, agora ganha um guia à sua altura. Nele João Correia Filho, que já desvendou os recantos mais charmosos de Lisboa e Paris, brinda o leitor com dicas sobre a cidade de São Paulo. Ele revela como a terra da garoa – que já foi de taipa sob os jesuítas – adotou o tijolo do ecletismo de Ramos de Azevedo e projeta no horizonte presente o pluralismo da sua ampla diversidade étnica e cultural. Mas, ao contrário dos guias convencionais, este vai descortinando os meandros de cada bairro, ruas, edifícios e museus pelos registros literários de quem cantou a cidade em prosa e verso – dos autores clássicos aos contemporâneos, dos consagrados aos alternativos e ‘malditos’. Flâneur à la Baudelaire, o autor não esconde que alguma coisa acontece em seu coração, e não apenas quando cruza a Ipiranga com a Avenida São João. Suas linhas transbordam a paixão pela megalópole autofágica, que diariamente constrói e destrói coisas belas. Por isso este guia vem em boa hora. Ele recupera retalhos de memória da capital que esconde tesouros insuspeitos até para o mais atento dos viajantes. Deixe-se levar e surpreenda-se. O passeio é recompensador.

 

SÃO PAULO – MEMÓRIA E SABOR: Rosa Beluzzo (UNESP)

14. Rosa Belluzzo - São Paulo Memória e Sabor

Tema de simbolismo na identidade de São Paulo, a alimentação é apresentada neste livro como um acompanhamento das informações sobre a história da ocupação e da formação da sociedade paulistana. A autora na pesquisa e na documentação que o compõem, demonstra como as fusões, associações e confluências de temperos, alimentos, modos de preparo, apresentação e utensílios associados definiram pratos que, em mais de quatrocentos anos, estão fortemente identificados com a cidade e a região.

 

SOCIEDADE MOVEDIÇA:  Denise Aparecida Soares de Moura (UNESP)

26. Sociedade Movediça

Esta pesquisa sobre a sociedade paulista da primeira metade do oitocentos é tributária e também faz parte de um esforço para ampliar os estudos, investigações e interpretações deste amplo e diversificado painel historiográfico, literário e memorialístico. Retomando uma gama diversificada de documentos – jornais, como o Farol Paulistano, ofícios escritos por autoridades policiais, autos-cíveis, autos-crimes, atas, papéis avulsos e registros da Câmara, aquarelas, relatos de viajantes – e problematizando-os através da experiência da micro-análise, a autora procura infiltrar-se no tecido social urbano da cidade de São Paulo, entre os anos 1808-1850 e compreender outros contextos simultâneos ao da transmigração da família real para o Brasil, da implantação da Corte joanina, do processo de independência, das lutas regenciais e da implantação do Estado.

 

VIDA COTIDIANA EM SÃO PAULO NO SÉCULO XIX: Carlos Eugênio Marconde de Moura (UNESP)

49. Vida cotidiana em são paulo no século xix

Reconstruir a paisagem cotidiana dessa vila de vinte mil habitantes que era a São Paulo do século XIX. Com esse objetivo, os organizadores coletaram uma multiplicidade de referências: depoimentos, novelas, peças de teatro, diários de viagem, pinturas, fotos de paisagens e de tipos humanos. Contextualizado por estudos introdutórios de historiadores e críticos de teatro, esse material aparece como fonte de dados para a compreensão do processo de formação e desenvolvimento da cidade de São Paulo.

 

LIVROS DE FOTOGRAFIA

AURELIO BECHERINI: José de Souza Martins (Cosac Naify)

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Este livro reúne cerca de 200 imagens do Aurélio Becherini. Nascido na Itália, Becherini chegou ao Brasil no começo do século passado e registrou as mudanças pelas quais a capital paulistana passou nos anos 20 e 30, como ampliação de ruas, demolições e crescente urbanização, além das mudanças de hábitos que resultavam dessa pequena revolução. As imagens, organizadas de acordo com cada ponto retratado pelo fotógrafo, estão acompanhadas por textos de Rubens Fernandes Junior, historiador da fotografia, da pesquisadora Ângela C. Garcia e do sociólogo José de Souza Martins. O livro também conta com uma biografia do fotógrafo, índice das imagens por regiões da cidade e versões em inglês dos textos. O projeto gráfico remete ao universo da imprensa, vivido por Becherini, com títulos que lembram manchetes de jornais, colunas de textos e imagens.

 

B.J. DUARTE – CAÇADOR DE IMAGENS: Benedito Junqueira Duarte (Cosac Naify)

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A obra do fotógrafo paulista Benedito Junqueira Duarte (1910-1995) é reunida pela primeira vez em livro. Sua produção é significativa na história da fotografia brasileira. Além de atuar como fotógrafo, Duarte produziu mais de quinhentos filmes e publicou críticas cinematográfica por quase trinta anos no jornal O Estado de S. Paulo, na revista Anhembi e nas publicações do Grupo Folha. A passagem pela Seção de Iconografia do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo, a convite de Mário de Andrade, foi definitiva para sua experiência artística e resultou em mais de duzentas imagens que registram a metrópole em constante transformação entre as décadas de 1930 e 1950. O livro aborda diferentes momentos de sua trajetória – o aprendizado em Paris; a iniciação profissional em São Paulo, com o retrato e o fotojornalismo; a fotografia documental desenvolvida no Departamento de Cultura; a experiência transgressora na Revista S. Paulo; e o cinema, sobretudo os documentários educativo-científicos realizados na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. A edição inclui, ainda, uma entrevista concedida por B.J. Duarte em 1986, bem como bibliografia e filmografia.

 

GUILHERME GAENSLY: Henrique Siqueira /Boris Kossoy/Hugo Sekawa/Rubens Fernandes Junior (Cosac Naify)

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Esta obra apresenta as fotografias de Guilherme Gaensly, realizadas em grande parte entre 1894 e 1915, durante a explosão do desenvolvimento urbano da cidade de São Paulo. O livro contém imagens comentadas por Henrique Siqueira e textos de Boris Kossoy, Rubens Fernandes Junior e Hugo Segawa.

 

IMAGENS DA HOTELARIA NA CIDADE DE SÃO PAULO: Sandra Trabucco Valenzuela (Senac)

22. Imagens da hotelaria na cidade de são paulo

Da hospedagem doméstica à pensão e ao atual hotel, a cidade de São Paulo conheceu diferentes meios de receber seus visitantes, forasteiros nem sempre vistos com bons olhos, no passado. Em ‘Imagens da hotelaria na cidade de São Paulo’ a evolução dos serviços de hospedagem é estudada por meio de crônicas de viajantes, cartões-postais, reportagens, fotografias, etiquetas de bagagem e anúncios, acompanhados de necessária contextualização, o que permite ao leitor conhecer não apenas o processo de instalação e desenvolvimento dessas atividades, mas também as profundas mudanças que a própria cidade sofreu ao longo de mais de quatrocentos anos.

 

MILITÃO AUGUSTO DE AZEVEDO: Heloisa Barbuy/Rubens Fernandes Junior (Cosac Naify)

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Esta obra traz a estrutura editorial, em menor escala, do álbum comparativo da cidade de São Paulo elaborado por Militão Augusto de Azevedo. Além de um ensaio fotográfico com imagens do álbum, traz três mapas comparativos que demarcam os locais fotografados por Militão em três tempos (1862, 1887 e 2012), uma lista das mudanças nominais dos logradouros e bibliografia. O livro traz textos que pretendem contextualizar a produção de Militão e a relevância de seu trabalho para a preservação da memória da cidade.

 

REPAISAGEM SÃO PAULO: Marcelo Zocchio

2. Marcelo-Zocchio-Repaisagem

O livro ‘Repaisagem São Paulo’ reúne 30 montagens fotográficas em preto e branco que mesclam imagens da cidade de São Paulo. Cada montagem foi produzida a partir de duas fotografias de um mesmo lugar da cidade – uma antiga, coletada em arquivos de imagem; e uma atual, produzida pelo autor. O resultado são as ‘repaisagens’ – imagens que unem elementos de dois tempos diferentes da história de São Paulo

 

RESIDÊNCIAS EM SÃO PAULO 1947-1975: Marlene Milan Acayaba (Romano Guerra)

43. Residências em são paulo 1947-1975

Este livro apresenta uma monografia fotográfica sobre 43 residências projetadas por arquitetos e construídas em São Paulo durante o período de 1947 a 1975. O estudo de cada casa é formado pelo seguinte material – planta de situação; desenhos técnicos com plantas e cortes; fotos; ficha técnica; e descrição do partido adotado. As casas foram ordenadas nas décadas de 1950, 1960 e 1970, que são precedidas por uma interpretação geral sobre a produção arquitetônica do período.

 

A SÃO PAULO DE GERMAN LORCA: Martins, Jose De Souza (Imprensa Oficial)

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German Lorca, pertence à geração de grandes nomes da fotografia como Geraldo de Barros, B. J. Duarte, Thomas Farkas, Fernando Lemos. Nascido em 1922, filho de imigrantes espanhóis, se forma como contador, em 1940. Logo a seguir, adquire sua primeira câmera fotográfica, começando cedo a exercitar seu olhar, documentando cenas familiares e a vida urbana. Seu ingresso, em 1948, no Foto Cine Clube Bandeirante, o grande polo de difusão da fotografia moderna na cidade de São Paulo, e a convivência com seus integrantes, o levam à decisão de se profissionalizar como fotógrafo. Atua, então, como free lancer, dedica-se simultaneamente a experimentações fotográficas, e o componente subjetivo – que se pode reconhecer mesmo como afetivo -, passa a se evidenciar em sua obra nos inúmeros registros da cidade de São Paulo. Lorca foi autor de grandes fotorreportagens, notadamente quando documentou a visita de Nelson Rockefeller ao Brasil, mas, especialmente nesse domínio, se destacou com seu registro da inauguração da Catedral da Sé e o desfile cívico no Anhangabaú, celebrando as festividades do IV Centenário de São Paulo, em 1954, documentadas nesta edição.

 

SÃO PAULO: Carlos Moreira (Sesc)

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O livro ‘Carlos Moreira – São Paulo’ reúne um extenso ensaio fotográfico sobre a cidade de São Paulo, realizado pelo fotógrafo nos últimos 50 anos. Mais de 100 imagens, em cor e em preto e branco, dos anos 60 até os dias de hoje, compõem a obra

 

SAUDADES DE SÃO PAULO: Lévi-Strauss (Cia. das Letras)

1. Lévi-Strauss-Saudades-de-São-Paulo

Uma cidade em que o gado convivia com carros e bondes nas ruas; em que construções moderníssimas despontavam no topo de colinas ainda rústicas; em que lençóis caseiros, pendurados nos varais, formavam o primeiro plano para o imponente prédio Martinelli. Essa a paisagem que Claude Lévi-Strauss, então um jovem professor e fotógrafo nas horas vagas, encontrou e registrou fascinado entre 1935 e 1937, quando veio trabalhar na Universidade de São Paulo. Sessenta anos mais tarde, ciente de que uma cidade é ‘como um texto que, para compreender, é preciso saber ler e analisar’, o antropólogo escreveu um depoimento em que revisita essas imagens