Como Niemeyer, que teve mais três obras tombadas pelo Iphan, lançou a arquitetura brasileira no mundo

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MAC Niterói, Rio de Janeiro

Na última sexta (6), o Iphan reconheceu novas três obras de Oscar Niemeyer como patrimônios históricos nacionais. O Parque Ibirapuera (SP/1954), a Passarela do Samba (RJ/1983) e um edifício bastante recente: o MAC-Niterói, de 1996.

Não é tão comum obras com 20 anos de construção serem tombadas. Mas, no caso de Niemeyer, isso não é novidade: a Igreja da Pampulha (1944), em Belo Horizonte, foi tombada quatro anos após sua construção. Logo depois de ficar pronta, a igreja já era reconhecida nacional e internacionalmente. Segundo a pesquisadora Flávia Brito (FAU/USP) em seu texto “Preservando a arquitetura do século XX: o Iphan entre práticas e conceitos”, o que motivou o tombamento foi a “resistência de setores da igreja mineira de consagrarem o edifício, associado ao socialismo do autor do projeto”.

Igreja da Pampulha, Belo Horizonte/04.nov.2010/Sérgio Mourão
Igreja da Pampulha, Belo Horizonte/04.nov.2010/Sérgio Mourão

Dalva Thomaz, chefe da Seção de Pesquisa e Levantamento do DPH, explica que a Igreja da Pampulha, com suas abóbadas, foi uma novidade no cenário da arquitetura moderna internacional, pois com ela Niemeyer deu “outra expressão plástica ao concreto armado”, mais associado ao sistema de pilar-viga-laje europeu.

Mas antes disso, a obra de Niemeyer já havia dado projeção à arquitetura brasileira no cenário internacional com a construção do Pavilhão Brasileiro em Nova York em 1939, diz Dalva. Logo depois,  em 1942, o MoMA (Museu de Arte Moderna) de Nova York organizou uma exposição sobre arquitetura moderna brasileira  intitulada “Brazil Builds”.

Para o arquiteto e crítico de arte e arquitetura Guilherme Wisnik, Niemeyer foi o primeiro artista brasileiro moderno a ter reconhecimento mundial. “Isso tudo que ele fez foi muito pioneiro, nenhum outro artista do Brasil tinha essa repercussão no exterior”.

Wisnik destaca que a arquitetura de Niemeyer era ligada à de Le Corbusier, mas incorporando uma tradição barroca e tropical. A sinuosidade presente na obra do arquiteto gerou críticas e polêmicas.

Max Bill, arquiteto e artista plástico suíço, em entrevista para a revista Manchete (1953), criticou o “barroquismo” e as formas livres de Niemeyer, segundo Dalva Thomaz.

Niemeyer continuou produzindo no Brasil e, entre 1964 e 1979, período da ditadura militar, se exilou na França e na Argélia. No exterior, projetou obras notáveis como a sede do Partido Comunista Francês e a sede da Editora Mondadori, em Milão. Na Argélia, projetou, entre outras obras, a Universidade de Constatine.

Em 1988, Niemeyer recebeu o Prêmio Pritzker de Arquitetura e, em 1996, o Prêmio Leão de Ouro da Bienal de Veneza. No final dos anos 1990, sua obra voltou a ser alvo de atenção em projetos como o MAC-Niterói. “Com quase 100 anos de idade, ele retoma o status de estrela da arquitetura mundial”, diz Wisnik.

Conheça as outras  24 obras do arquiteto já tombados pelo Iphan.

OBRAS DE OSCAR NIEMEYER TOMBADAS PELO CONPRESP, COM DATA DE CONSTRUÇÃO
Galeria Califórnia (1951)
Edifício Montreal (1951)
Edifício Copan (1952-66)
Edifício Triângulo (1953)
Edifício Eiffel (1953)
Parque Ibirapuera e conjunto de obras (1954)
Memorial da América Latina (1989)