Pq. Ibirapuera, presente da cidade no IV Centenário, consolidou arquitetura moderna no país

Interior do Prédio da Bienal/Dré Batista

Interior do Prédio da Bienal/Dré Batista

Um dos aniversários mais memoráveis de São Paulo foi celebrado em seu IV Centenário, marcado por uma série de pomposos desfiles militares e inaugurações de obras públicas, entre elas nada menos que o parque Ibirapuera (projeto de Oscar Niemeyer), o Monumento às Bandeiras e o Obelisco.

Em 1943, o livro “Brazil Builds”, de Philip Goodwin, logo alçado a cânone historiográfico, estabelecia para a arquitetura moderna no país um linhagem a partir de Le Corbusier, consagrando Oscar Niemeyer e Lúcio Costa como seus expoentes, e o edifício do Ministério da Saúde, de 1943 com sua obra fundadora. Mas a inauguração, em 1954, do complexo arquitetônico do parque Ibirapuera, com sua extensão e monumentalidade, é tido como um dos momentos fundamentais da consolidação da arquitetura moderna no Brasil. Brasília, a consagração dessa arquitetura, só viria a ser inaugurada em 1960.

A CONSTRUÇÃO DO IBIRAPUERA

Palácio dos Estados, atual Pavilhão das Culturas/Autor Desconhecido
Palácio dos Estados, atual Pavilhão das Culturas/Autor Desconhecido

A idealização do parque começou na década de 20, pelo então prefeito José Pires do Rio, tendo como referência locais como o Hyde Park de Londres e o Central Park de Nova York. A região era pantanosa e alagadiça e, para que fosse facilitada a construção, em 1927 a prefeitura plantou centenas de eucaliptos australianos para drenar o solo.

Museu Afro Brasileiro, antigo Palácio das Nações/dornicke
Museu Afro Brasileiro, antigo Palácio das Nações/dornicke

Em 1951, o governador Lucas Nogueira Garcez reuniu em uma comissão mista representantes dos poderes públicos e da iniciativa privada para planejar e executar a inauguração do Parque Ibirapuera como marco das comemorações do IV Centenário. No projeto arquitetônico final, de Niemeyer,  havia o Prédio das Exposições (hoje Oca) e os palácios das Nações (que hoje abriga o Museu Afro Brasil), dos Estados (atual Pavilhão das Culturas), das Indústrias (Pavilhão da Bienal), e da Agricultura (abriga Museu de Arte Contemporânea). Este último faz parte do complexo, mas foi projetado fora do limite do parque.

O antigo Prédio das Exposições hoje é a Oca/Marcel onofrio
O antigo Prédio das Exposições hoje é a Oca/Marcel onofrio

A obra atrasou, e o parque foi inaugurado oficialmente não em 25 de janeiro, mas no dia 21 de agosto de 1954. As comemorações do IV Centenário haviam, no entanto, se iniciado já no ano anterior com a 2ª Bienal, pré-inaugurando o parque com  uma exposição das obras de Picasso. Um fato curioso é que, durante a preparação da mostra, um caminhão que levava a “Guernica” ficou atolado na lama, pois o parque ainda estava em obras. A pintura precisou ser transportada a pé pelos montadores da exposição.

Interior do Prédio da Bienal, antigo Palácio das Indústrias/Sailko
Interior do Prédio da Bienal, antigo Palácio das Indústrias/Sailko

 

O antigo Palácio da Agricultura hoje é o MAC-USP/RPFigueiredo
O antigo Palácio da Agricultura hoje é o MAC-USP/RPFigueiredo

Apesar de o auditório fazer parte do projeto inicial, Niemeyer só o construiria 50 anos depois, literalmente de cabeça para baixo, invertendo sua forma original.

Auditório do Ibirapuera/dornicke
Auditório do Ibirapuera/dornicke

 

MONUMENTOS AO LADO DO PARQUE

O IV Centenário de São Paulo também foi o ano em que o Monumento às Bandeiras, obra de Victor Brecheret, foi inaugurado. Os primeiros esboços  datam da década de 1920. O projeto foi bem recebido, e o então presidente Washington Luís prometeu que promoveria a execução da obra.

Devido a uma sequência de acontecimentos no país, como a deposição do presidente Washington Luis pelo Golpe de 1930, a obra foi adiada e retomada apenas em 1953.

Vista lateral do Monumento às Bandeiras
Vista lateral do Monumento às Bandeiras/ThePhotographer

O Obelisco, obra do escultor Galileo Ugo Emendabilli, também inaugurada no IV Centenário, é uma homenagem aos soldados constitucionalistas. É também monumento funerário em honra aos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, assassinados pelas tropas de Getúlio durante a Revolução de 1932, dando origem ao movimento M.M.D.C.

Tropas gaúchas acampadas na área do futuro Parque do Ibirapuera durante a Revolução Constitucionalista de 1932/Autor Desconhecido
Tropas gaúchas acampadas na área do futuro Parque do Ibirapuera durante a Revolução Constitucionalista de 1932/Autor Desconhecido

O obelisco começou a ser construído em 1947 e, apesar de sua inauguração em 1955, só foi finalizado em 1970. Existem algumas curiosidades sobre seu projeto: somando os algarismos de sua altura, 72 metros, obtém-se o número 9. Há também 9 degraus na entrada do Obelisco, construído em uma área de 1932 metros quadrados. Sua forma de trapézio possui 9 metros na base e 7 no topo, e a largura da cripta é de 32 metros.

Assim, forma-se a data 9/7/32, que corresponde ao ano, dia e mês da Revolução (9 de julho de 1932). Na base do Obelisco está a frase “viveram pouco para morrer bem, morreram jovens para viver sempre”. Algumas fontes atribuem os dizeres ao jornalista Dr. Antônio Benedito Machado Florence, outras, ao poeta Guilherme de Almeida.

Vista do Obelisco/Tatiane de Souza Macedo
Vista do Obelisco/Tatiane de Souza Macedo