Passeio em Higienópolis é um mergulho na arquitetura moderna

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Edifício Louveira/Guia de Bens Culturais de São Paulo

por Claudia Ratti

Uma infinidade de prédios modernos e alguns casarões ecléticos chamam a atenção nas ruas arborizadas do bairro de Higienópolis. No Giro desta semana, o Blog do DPH sugere 15 imóveis para você visitar em um passeio pelo bairro. O roteiro passa por locais como os edifícios Louveira, Prudência, a Vila Penteado e a Casa de Nhonhô Magalhães. Os edifícios tombados pelo Conpresp estão sinalizados por um asterisco (*). Recomendamos: olhe para cima! O bairro tem muitos prédios interessantes para conhecer além dos indicados no passeio.

Você pode chegar até a região utilizando o transporte público: de metrô ,pela Estação Paulista (Linha Amarela), ou de ônibus, descendo a rua da Consolação (desça no 2º ponto da avenida) ou a avenida Angélica (4º ponto).

Sugerimos que comece o roteiro pelo edifício Solar do Conde e conheça os primeiros prédios no fim da manhã, já que em cerca de 30 minutos você chegará à praça Vilaboim, um lugar com grande concentração de restaurantes e opções para o almoço (veja em amarelo no primeiro mapa). Durante a tarde, seguindo nosso roteiro, em 1h30 você estará perto da conhecida padaria Benjamin Abrahão (veja em amarelo no terceiro mapa), onde pode fazer uma parada de descanso antes de conhecer o último edifício,  já próximo à estação Santa Cecília do Metrô (Linha Vermelha).

 

1- Solar do Conde (1962-1965, Pedro Paulo de Melo Saraiva e José Maria Gandolfi)
O edifício chama a atenção pelo contraste entre o revestimento de pastilha e o concreto aparente dos pilotis. Foi um dos primeiros prédios da cidade a usar o concreto aparente. Rua Pará, 241.

 

2- Edifício Abaeté (1963-1968, Abrahão Sanovicz)

Edifício Abaeté/Francisco Saragiotto
Edifício Abaeté/Francisco Saragiotto

A caixilharia única em todo o edifício, executada por Luiz Sacilotto, se destaca na arquitetura. Foi o primeiro prédio de apartamentos projetado por Sanovicz. Rua Pará, 222.

 

3- Edifício Paquita (1952-1959, Luz-Ar Arquitetura e Construção)

Edifício Paquita/Francis
Edifício Paquita/Francisco Saragiotto

A lâmina curva do edifício, com mais de 50 metros de comprimento, chama a atenção em frente à praça Buenos Aires. O projeto do Paquita é o mais conhecido da empresa que o construiu. Rua Alagoas, 475.

4- Edifício Santa Amália (1942-1943, Lucjan Korngold)

Edifício Santa Amália/Francisco Saragiotto
Edifício Santa Amália/Francisco Saragiotto

O edifício, em frente à praça Buenos Aires, tem uma fachada simétrica que é reforçada pela quadrícula dos vãos da varanda. Rua Piauí, 760.

 

5- Edifício Louveira (1946-1949, Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi) *

Edifício Louveira/Guia de Bens Culturais de São Paulo
Edifício Louveira/Guia de Bens Culturais de São Paulo

Um dos mais emblemáticos exemplares de arquitetura moderna do bairro, o Louveira, foi um dos precursores na arquitetura residencial vertical. É formado por um conjunto de dois blocos de prédios apoiados em pilotis. Praça Vilaboim, 144.

 

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6- Edifício Arper (1959-1962, David Libeskind)

Edifício Arper/KWR2
Edifício Arper/KWR2

O prédio, em único volume, chama a atenção pelo contraste entre as cores branca e vermelha. O Arper é um exemplo das habilidades de Libeskind na articulação entre volumes e materiais. Rua Pernambuco, 15.

 

7- Edifício Bretagne (1952-1959, João Artacho Jurado)*

Edifício Bretagne/Guia de Bens Culturais de São Paulo
Edifício Bretagne/Guia de Bens Culturais de São Paulo

Projetado para a classe média como um prédio-clube, foi um dos primeiros edifícios com o conceito de viver em condomínio. Com um formato em “L”, o Bretagne chama a atenção pela variedade de materiais e cores utilizadas. Avenida Higienópolis, 938.

 

8- Casa de Nhonhô Magalhães (1929-1938, Construtora Siciliano e Silva)*

Casa de Nhonhô Magalhães/Guia de Bens Culturais de São Paulo
Casa de Nhonhô Magalhães/Guia de Bens Culturais de São Paulo

A casa foi construída para um dos maiores cafeicultores do estado de SP, Leoncio Magalhães. Sua arquitetura eclética foi influenciada pelos palacetes franceses do Século 19. Avenida Higienópolis, 758.

 

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9- Edifício Prudência (1944-1948, Rino Levi e Roberto Cerqueira Cesar)*

Edifício Prudência/Guia de Bens Culturais de São Paulo
Edifício Prudência/Guia de Bens Culturais de São Paulo

O edifício em forma de “U” foi um pioneiros da arquitetura moderna no Brasil. O Prudência destaca-se pela planta livre, pilotis e paisagismo de Burle Marx. Avenida Higienópolis, 235.

 

10- Parque de Higienópolis (1962-1969)

Parque Higienópolis/Google
Parque Higienópolis/Google

O que mais chama atenção no prédio é a quadrícula externa amarela. Foi construído em um terreno do último desmembramento da Chácara de Dona Veridiana. O paisagismo é de Waldemar Cordeiro, mas a autoria do projeto é desconhecida. Avenida Higienópolis, 148.

 

11- Edifício Lausanne (1958, Franz Heep)*

Edifício Lausanne/Guia de Bens Culturais de São Paulo
Edifício Lausanne/Guia de Bens Culturais de São Paulo

As venezianas coloridas chamam a atenção de quem passa pelo bairro. O edifício tem características da arquitetura moderna e fez parte de uma série de projetos do arquiteto destinados à habitação coletiva para a classe média. Avenida Higienópolis, 101.

 

12- Casa de Dona Veridiana Prado (1902)*

Casa de Dona Veridiana Prado/Guia de Bens Culturais de São Paulo
Casa de Dona Veridiana Prado/Guia de Bens Culturais de São Paulo

De arquitetura eclética com referências francesa e italiana, a casa foi uma das primeiras construídas em Higienópolis e teve os materiais trazidos da Europa. No interior, obras como a pintura mural “Aurora”, de Almeida Junior, e a escultura “Diana”, de Victor Brecheret. Avenida Higienópolis, 18.

 

13- Vila Penteado (Carlos Ekman) *

Vila Penteado/Guia de Bens Culturais de São Paulo
Vila Penteado/Guia de Bens Culturais de São Paulo

O palacete construído para o Conde Antônio Alvares Leite Penteado representa o estilo de vida cosmopolita da alta burguesia do século 1920. O prédio tem vários detalhes ornamentais e curvilíneos que caracterizam a arquitetura no art nouveau. Atualmente, o local é sede da pós-graduação da FAU/USP. Rua Maranhão, 88.

 

14- Edifício Barão de Pirapitingui (1968, Alberto Botti e Marc Rubin)

Edifício Barão de Pirapitingui/Francisco Saragiotto
Edifício Barão de Pirapitingui/Francisco Saragiotto

O prédio tem pilares externos que marcam as fachadas laterais, além dos pilares em ‘V” no térreo. A fachada para a rua revela um vão livre transversal. Rua Maranhão, 195.

 

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15- Edifício Juriti (1961-1964, João Kon)

Edifício Juriti/Francisco Saragiotto
Edifício Juriti/Francisco Saragiotto

A fachada do prédio é marcada por venezianas nos dormitórios, vidros nas salas e varandas nas salas de estar. O estilo é característico de Kon, o arquiteto que mais construiu edifícios em Higienópolis. Rua Martinico Prado, 90.

 

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[As informações sobre os prédios tombados foram retiradas do Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo. As dos outros edifícios,  da “Revista Monolito”,  Edição 19, que trata de Higienópolis.]