Restauro reintegra casa de Rino Levi à cidade

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por Claudia Ratti

Faz parte da linguagem da arquitetura moderna a integração dos edifícios com a cidade. Rino Levi, como representante dessa arquitetura, aplicou esse princípio no projeto da Residência Castor Delgado Perez, da década de 1950. Mas com o passar dos anos, a casa da avenida 9 de Julho (Zona Oeste) sofreu intervenções e foi murada. Agora, após o restauro que readequou o imóvel para abrir a galeria de arte Luciana Brito, o sentido de integração urbana foi retomado.

Além de remover os muros, o projeto de restauro e intervenção do escritório Piratininga Arquitetos Associados construiu um pavilhão na área da antiga edícula e instalou um sistema expositivo removível, preso ao chão e ao teto, para a colocação de obras artísticas sem danificar a estrutura do imóvel.

Interior da Galeria Luciana Brito/André Scarpa

O restauro também recuperou materiais como os elementos vazados horizontais (cobogós) do jardim e da frente da casa.  Como são estruturas muito delicadas, foi feita uma série de enxertos para recuperar as peças. “O trabalho foi muito mais de recuperação daquilo que estava danificado do que de substituição”, explica o arquiteto José Armênio, responsável pelo projeto.

Também foi recuperada a escala de cores características:o azul arroxeado dos cobogós que contrasta com o rosa da pastilha de vidro. Já na caixilharia, ou seja, nas esquadrias de metal das janelas, pouco precisou ser feito. Segundo Armênio, o projeto de Rino Levi era tão bom que as estruturas mantiveram-se em condições que facilitaram o restauro.

José Armênio, que fez em seu escritório o projeto de restauro da Biblioteca Mario de Andrade e da Biblioteca da FAU/ USP, reforça a necessidade de certos cuidados ao restaurar um bem tombado. A identidade do imóvel deve ser recuperada, as intervenções contemporâneas devem ficar bem distinguíveis. Além disso, o arquiteto ressaltou a importância do uso: “O uso é o que mantém o bem tombado, então a viabilização do uso é uma contribuição à manutenção do bem”.

Por ser uma casa tombada como patrimônio histórico, o projeto precisou ser aprovado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico), onde foram feitas alterações para facilitar o funcionamento da galeria e dar maior segurança aos visitantes. Um processo de tombamento ex-oficio está sendo iniciado para que o imóvel também seja tombado no Conpresp.

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Projeto de Arquitetura – Cortes e Elevação/Luciana Brito/Piratininga Arquitetos Associados