Roteiros da Jornada mostrarão como os caminhos antigos formaram a cidade de São Paulo

Detalhe da obra São Paulo vista do Caminho para Santos/Burchell

Detalhe da obra São Paulo a partir da estrada para Santos/1825/William John Burchell

por Claudia Ratti

Durante as primeiras ocupações do território brasileiro, caminhos terrestres surgiram para ligar as povoações do litoral a outros pontos do território, muitos deles antigos trajetos indígenas. Esses percursos nortearam  o processo de desenvolvimento da cidade de São Paulo.

O Sesc, a partir de uma parceria com o DPH, vai explorar os caminhos de origem da cidade na 2ª Jornada do Patrimônio com uma série de roteiros turísticos que refazem os antigos trajetos e recontam a história de formação dos bairros.

A Jornada 2016 terá como tema “As Origens da Cidade”, e neste ano ocorrerá em agosto, nos dia 27 e 28. Saiba mais aqui.

 

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“Mapa geral de São Paulo” modificado para mostrar as primeiras regiões de desenvolvimento depois do centro em pontos estratégicos dos caminhos/1897/Gomes Cardim

CAMINHO DE SANTOS

Rua da Glória/1862/ Militão Augusto de Azevedo
Rua da Glória/1862/ Militão Augusto de Azevedo

É o mais antigo da cidade. Por meio dele os portugueses ultrapassaram a Serra do Mar, chegando ao Planalto e ao Vale do Rio Tietê, fundando os primeiros aldeamentos na região que hoje é a cidade de São Paulo, como o Pátio do Colégio. A primeira ocupação do espaço passou a ser organizada a partir de colinas, onde existiam aldeamentos indígenas.

Esse caminho passava por pontos como as ruas da Glória e do Lavapés e contribuiu para a futura urbanização dos bairros do Cambuci e do Ipiranga. Neste caminho encontramos alguns bens históricos como a Igreja dos Enforcados, a Capela dos Aflitos, a Casa do Grito, o Monumento da Independência e Museu Paulista.

 

CAMINHO PARA SÃO MIGUEL EM DIREÇÃO AO RIO

Entrada de São Paulo pelo caminho do Rio de Janeiro e o convento das Carmelitas/Jean-Baptiste Debret
Entrada de São Paulo pelo caminho do Rio de Janeiro e o convento das Carmelitas/Jean-Baptiste Debret

Foi uma alternativa para chegar ao leste da cidade, em direção ao Vale do Paraíba e ao Rio de Janeiro. Descia a ladeira do Carmo (hoje rua do Carmo), cruzava o vale do Tamanduateí e acompanhava o rio Tietê, passando por onde hoje estão os bairros do Brás, Tatuapé e Penha, até o aldeamento dos jesuítas em São Miguel. O crescimento dessa região intensificou-se com a ferrovia que ligava o Brás às áreas industriais do Belenzinho.

No período de chuvas e inundações, fazia-se outro percurso: cruzava-se a área de Itaquera para então chegar a Mogi das Cruzes. Hoje, os referenciais desse caminho são a Igreja do Brás, a Casa do Tatuapé, o conjunto da Penha e a Igreja de São Miguel.

 

CAMINHO DO GUARÉ OU DA LUZ, PARA AS MINAS

Mosteiro da Luz/1875/ Militão Augusto de Azevedo/Acervo de Fotografia do Museu da Cidade
Mosteiro da Luz/1875/ Militão Augusto de Azevedo/Acervo de Fotografia do Museu da Cidade

Caminho que ganhou importância após a descoberta de ouro em Minas Gerais e Goiás. Partia da atual rua Florêncio de Abreu, passava pelo antigo Campo da Luz (hoje avenida Tiradentes), próximo ao Mosteiro e ao Jardim da Luz, até o bairro de Santana, onde cruzava a Serra da Cantareira até chegar a Minas Gerais. Esse caminho cruzava os dois rios mais importantes da cidade: Tamanduateí e Tietê. Próximo a ele foi construída a estação ferroviária mais importante da cidade, a Estação da Luz, e vários equipamentos públicos.

As referências desse trajeto hoje são o conjunto arquitetônico da Luz, o Jardim da Luz, o Liceu de Artes e Ofícios (atual Pinacoteca) e o Sítio Morrinhos.

 

CAMINHO DE CAMPINAS EM DIREÇÃO A GOIÁS

Ponte do Acú/Jean-Baptiste Debret
Ponte do Acú/Jean-Baptiste Debret

Foi um importante caminho para o crescimento da cidade, devido ao tropeirismo, à produção de açúcar e exploração de ouro. Conduzia à região de Jundiaí e ligava aos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul.

Passava pela Ladeira de São João, Anhangabaú e seguia para as atuais avenidas São João e onde é hoje a Francisco Matarazzo. No bairro da Água Branca, seguia por dois trajetos: um cruzava o rio Tietê em direção à Freguesia do Ó e o outro cruzava o rio na altura do bairro do Anastácio (Lapa). Com a implantação das linhas ferroviárias Santos/Jundiaí e Sorocabana, essa região se tornou uma área industrial e operária.

Os principais referenciais da ocupação dessa região são o Sesc Pompéia (antiga fábrica de tambores), a Casa das Caldeiras e o Casarão do Anastácio.

 

CAMINHO DE PINHEIROS E SOROCABA EM DIREÇÃO AO SUL

Largo do Bixiga, atual praça da Bandeira, São Paulo/1862/ Militão Augusto Azevedo
Largo do Bixiga, atual praça da Bandeira, São Paulo/1862/ Militão Augusto Azevedo

Ficou conhecido pelas tropas que vinham do sul para serem comercializadas em Sorocaba, e depois passavam por São Paulo em direção às Minas Gerais. O trajeto começava no largo de São Francisco, cruzava o Vale do Anhangabaú e seguia para o Largo da Memória, onde funcionava um dos bebedouros da tropa. Seguia pela atual avenida da Consolação, passava pelo espigão da cidade, a atual avenida Paulista, até pegar o caminho de onde é hoje a Teodoro Sampaio, em direção ao antigo aldeamento de Pinheiros. A partir dali, cruzava o rio de mesmo nome em direção ao interior do estado.

Os principais monumentos da época são o Largo da Memória com o Obelisco, o Cemitério da Consolação, o conjunto arquitetônico das Clínicas, o Largo de Pinheiros e as casas Do Bandeirante e Do Sertanista.