DPH vai reconhecer comércios tradicionais com selo “Valor Cultural Paulistano”

Casa da Boia , Centro.  | Imagem: Felipe Alexandre Herculano

por Claudia Ratti

Os técnicos do DPH estão estudando cinco estabelecimentos do século 19 que podem ser os primeiros a receber o selo “Valor Cultural da Cidade de São Paulo”, novo instrumento de preservação criado no final do ano passado.

Casa da Bóia, Centro/ Guia de Bens Culturais da Cidade de São Paulo

Após uma pesquisa histórica, uma relação será apresentada ao Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), que decidirá se os bens culturais devem receber o selo. 

Entre esses locais estão: a Padaria Santa Tereza, a mais antiga da cidade, que funciona desde 1872 na Praça João Mendes; as panificadoras da Bela Vista Italianinha e 14 de Julho, fundadas por imigrantes italianos;  o restaurante Carlino, criado em 1881 e considerado o mais antigo da cidade ainda em atividade; e a loja de ferragens Casa da Bóia, fundada em 1898, especializada em produtos para hidráulica, elétrica, ferramentas em geral e que abriga um museu sobre o comércio e a época industrial de São Paulo.

O DPH escolheu os estabelecimentos mais antigos ainda em funcionamento. Seguindo o mesmo critério, os técnicos já identificaram dezenas de outros comércios, a maioria concentrada no centro da cidade. Nesta segunda lista, a data máxima limite da inauguração do local é 1970.

O selo vai classificar lugares onde tradicionalmente são desenvolvidas atividades ligadas ao comércio, gastronomia e cultura e manifestações artísticas que expressam a cultura de um grupo. Imóveis de relevância arquitetônica, mas que não justifiquem o tombamento, também podem receber o selo.

O objetivo é reconhecer locais que representam a identidade social e cultural da cidade. “São locais de valor afetivo para a comunidade, mas que não necessariamente precisam ser mantidos intactos”, explica Nadia Somekh, diretora do DPH e presidente do Conpresp. Diferente do tombamento, o selo não impede reformas ou demolições. Ele sinaliza valor e serve como ferramenta para a mobilização social em torno da preservação do bem.

Para Nadia, o selo também é importante para que as pessoas conheçam e preservem o patrimônio. “É um compromisso da comunidade salvaguardar e proteger o imóvel”, diz. 

Em 1998, Buenos Aires criou uma ação parecida. Bares, cafés e pizzarias tradicionais foram reconhecidos e preservados por sua importância cultural e histórica para a cidade. Esses imóveis podem ser vistos aqui. O Condephaat (o órgão de preservação do Estado de São Paulo) também tem uma ferramenta semelhante, que confere ao imóvel a denominação “lugar de interesse cultural”.