Você sabe quem são as mulheres do patrimônio histórico?

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Nomes como John Ruskin, Viollet-le-Duc, Cesare Brandi, Giovanni Carbonara são rapidamente lembrados quando o assunto é a preservação do patrimônio histórico.

Mas onde estão as mulheres?

Elas representam mais de 60% dos profissionais de arquitetura registrados no país, segundo o último Censo dos Arquitetos e Urbanistas do Brasil do CAU-BR, feito em 2013. Essa proporção tende a crescer: entre os arquitetos de 20 a 25 anos, as mulheres são 78,3% do total.

Em um cenário em que elas conquistam cada vez mais espaço, o Blog do DPH decidiu destacar o trabalho de mulheres de diferentes áreas que contribuíram para a preservação do patrimônio histórico no Brasil e no Mundo. Confira:

Lina_icoLina Bo Bardi
Lina inovou a arquitetura do século 20 no Brasil ao fazer intervenções contemporâneas em imóveis históricos, quando as construções preexistentes costumavam ser demolidas sem maior reflexão. Seus projetos são reconhecidos internacionalmente, como o Sesc Pompéia, implantado em uma antiga fábrica de tambores. Lina também projetou o Masp, a Casa de Vidro, o Teatro Oficina e elaborou o restauro do Solar do Unhão e do Centro Histórico de Salvador. Estudou arquitetura na Universidade de Roma na década de 1930 e se mudou com seu marido Pietro Bardi para o Brasil após a 2ª Guerra Mundial, e tiveram importante papel no modernismo brasileiro. 

 

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Liliana Grassi
Liliana, graduada pela Faculdade de Arquitetura da Politécnica de Milão (1947), foi uma das pensadoras das discussões de práticas de restauro pós 2ª Guerra. Seus projetos fazem parte do contexto que originou a Carta de Veneza, pela qual as intervenções em patrimônio devem deixar evidente a diferença entre a construção antiga e o que é novo. Seu principal projeto de restauro foi feito com o arquiteto Piero Portaluppi, transformando o imóvel conhecido como Ca’Granda, antigo hospital de Milão construído em 1456. Ela também restaurou antigas igrejas e palácios nos arredores de Milão e projetou a Igreja de Santa Maria, em Assago, Itália.

 

 

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Françoise Choay
Françoise é uma importante historiadora e teórica das formas urbanas e arquitetônicas. Seu livro “A Alegoria do Patrimônio” faz uma genealogia da ideia de patrimônio histórico e até hoje é considerado uma referência para o entendimento do tema. Ela também fez a revisão da obra de Le Corbusier, um dos importantes arquitetos do século 20. Em 2007, recebeu o prêmio Livro de Arquitetura pelo livro “Antropologia do Espaço”. Foi professora de arte, arquitetura e urbanismo na Universidade de Paris I e VIII e hoje é membro da Academia de Artes de Berlim.

 

 

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Déa Fenelon
Déa foi historiadora formada pela UFMG (1961). Dirigiu o DPH na gestão de Luiza Erundina (1989-1993) na prefeitura de São Paulo e de Marilena Chauí na Secretaria Municipal de Cultura (1989-1992). Sua gestão aconteceu no contexto de redemocratização do país e foi marcada pelo conceito de “direito à memória”, aumentando o acesso da população à cultura e ao patrimônio histórico. Entre suas ações, destaca-se a criação da Casa da Memória Paulistana, onde foram integrados todos os acervos do DPH.

 

 

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Maria Eugenia Franco
A servidora pública municipal Maria Eugenia foi essencial na criação do DPH. Ela percorreu gabinetes de vereadores e lutou para que se tornasse lei o projeto do departamento. Em 1975, foi criada a Secretaria Municipal de Cultura, com o Departamento de Patrimônio Artístico-Cultural que anos mais tarde foi desmembrado em DPH (Departamento do Patrimônio Histórico) e IDART (Departamento de Informação e Documentação Artísticas). Maria Eugenia foi a primeira diretora do já extinto IDART e comandou a catalogação e estudos do acervo.